Preços a mercado, sim. Mas sempre?

Se os títulos não serão vendidos, essa prática pode ser dissonante da estratégia da empresa

Contabilidade e Auditoria/Legislação e Regulamentação/Temas/Edição 65 / 1 de janeiro de 2009
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Antes de discutirmos se a marcação a mercado é uma exigência universal em qualquer circunstância, vamos definir de forma expedita dois conceitos: marcação a mercado e processo produtivo.

Marcar um ativo a mercado é associar-lhe um preço que o mercado pratica no momento da marcação ou praticaria se ele fosse transacionado. Essa marcação pode ter um valor preciso e transparente quando há informações públicas e confiáveis de preços de ativos líquidos; ou pode ser uma metodologia aproximada e indireta que usa instrumentos coadjuvantes de precificação (curvas futuras, ativos similares com liquidez, modelos estatísticos).

Uma empresa, vista como um processo produtivo/ acumulativo temporal é, metaforicamente, uma atividade econômica com fluxo típico de uma indústria: compra insumos e os articula para obter produtos a serem vendidos. Para comprar, ela deve ter recursos acumulados em forma de ativos ou tomar recursos emprestados. Na articulação, criam-se gastos que devem ser pagos e, na venda, recebem-se recursos num certo instante de tempo não necessariamente simultâneo aos pagamentos que devem ser feitos. Esse processo temporal exige que todos os ativos sejam marcados a mercado, sempre e inexoravelmente? Não. Há inúmeros exemplos e circunstâncias em que não marcar a mercado é salutar e adequado. Um exemplo seria uma empresa de alimentação corporativa que tenha recebido antecipadamente o pagamento para fornecer refeições aos funcionários de um grupo industrial pelo período de um ano. Se o diretor financeiro dessa empresa decidir comprar títulos indexados à inflação com os recursos recebidos à vista, procurando casar os vencimentos com os pagamentos dos alimentos, mesmo que haja um surto inflacionário que exija do CMN um forte aumento da Selic, marcar a mercado esses títulos apagaria e deturparia a estratégia formulada. Aliás, marcar a mercado indicaria que os títulos poderiam ser vendidos antes do vencimento, em total discordância com a formulação inicial da estratégia.

O exemplo acima se repete em vários tipos de carteiras bancárias casadas, em algumas classes de fundos de pensão, alguns setores industriais de ciclo longo de produção e outros. Há ativos, particularmente de renda fixa, que podem ser comprados com o objetivo de conciliar seus vencimentos com os pagamentos típicos do ciclo compra-articula-vende. Nesses casos, muitas vezes chamados de hedge, não há motivo algum para marcá-los. Pois, na maioria das vezes, são marcados a mercado quando há o intuito ou a eventual necessidade de vendê-los.

Não há como supor que todos os ativos de todas as empresas estejam disponíveis para a venda o tempo todo. Onde haveria tantos compradores? Onde acharíamos compradores para os altos-fornos das siderúrgicas, os gigantescos equipamentos das mineradoras e construtoras? Da mesma forma, não são todos os investimentos mobiliários das empresas que estão disponíveis para venda, pois, muitas vezes, são pilares de estratégias do ciclo.

Entretanto, há inúmeras circunstâncias em que marcar a mercado é inexorável. Por exemplo, num fundo de investimento aberto, em que cotistas podem sacar ou depositar quase que diariamente. Essa possibilidade exige constantes compras e vendas de ativos por parte do gestor. Não haveria como não marcar a mercado de forma ampla e irrestrita. Uma estratégia empresarial bem formulada une harmoniosamente vários aspectos, e todos devem ser compatíveis com as estratégias e circunstâncias da organização.


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