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Preço menor, serviço pior
Uma bolsa concorrente só baixaria as taxas, sem oferecer qualidade

, Preço menor, serviço pior, Capital AbertoEm 1978, havia cerca de 20 bolsas de valores no Brasil. A maioria não oferecia qualquer contribuição para a capitalização das companhias nelas listadas ou para o processo de educação dos investidores, medida ainda tão necessária nos dias de hoje. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na época, deu início a um programa para estimular a consolidação das bolsas: o objetivo era ter entidades que pudessem ajudar efetivamente no desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. O processo de consolidação continuou nas décadas de 1980 e 1990 e culminou com a transformação das bolsas em entidades com fins lucrativos. Depois disso, houve a integração das duas grandes bolsas restantes, que deram origem à BM&FBovespa.

Durante esse período, o mercado só fez crescer em volume, diversidade e quantidade de investidores. Paralelamente, alcançou progresso importante em termos de transparência, governança e proteção aos acionistas. Como resultado, nunca as empresas captaram tantos recursos como nos últimos cinco anos. O processo de consolidação em nada impediu ou dificultou o desenvolvimento. Hoje, temos apenas uma bolsa, mas um mercado tão líquido, pujante e sofisticado quanto os de países desenvolvidos e muito à frente daqueles de economias emergentes. Regionalmente, o mercado brasileiro é bem maior do que a soma de todos os demais latino-americanos.

A falta de competição é uma característica do mercado de futuros nacional desde 1986, quando foi criada a BM&F, e do acionário desde 1993, quando a Bovespa passou a concentrar mais de 90% das transações com ações e opções. Isso não impediu nem reduziu o potencial de crescimento do mercado brasileiro. E tampouco está provocando retrocesso ou atraso nesse processo nos dias que correm.

O fato é que existem gestores de recursos independentes lutando para sobreviver num ambiente regulatório injusto, que estabelece regras iguais para todos os seus participantes, independentemente do tamanho e do alcance tanto de sua rede de distribuição quanto de sua publicidade. Para esses, uma nova bolsa, que oferecesse todos os serviços da existente, a custos mais palatáveis, seria interessante, pois significaria imediato aumento de suas receitas e, portanto, uma nova perspectiva em termos de rentabilidade e de aumento de participação no mercado. Para seus clientes, no entanto, dificilmente repassariam algum benefício.

Porém, ao contrário do que muitos imaginam, nossa bolsa tem concorrentes fortes. Os ativos brasileiros ou seus derivativos são negociados mundo afora, na forma de depositary receipts (DRs) e exchange traded funds (ETFs), por exemplo. A BM&FBovespa precisa ficar atenta para não perder ainda mais volumes para esses mercados. Ainda assim, alguns diriam que a entrada de um concorrente tenderia a resultar na oferta de novos produtos e serviços, a preços menores que os cobrados atualmente. Pura ilusão! Os bancos são os maiores acionistas da bolsa brasileira e os maiores administradores de recursos. Isso implica dizer que são, também, os maiores clientes das corretoras e a maior fonte de receita da BM&FBovespa.

Mesmo que a concorrente traga preços mais baixos, ela não conseguiria atrair negócios, pois a bolsa dominante, com o apoio de seus acionistas/clientes, ajustaria suas taxas. Sendo esse o quadro, como, então, viabilizar novos produtos e serviços? Impossível. Portanto, a única vantagem seria uma baixa geral de preços. Um benefício apenas aparente, já que provocaria uma piora na qualidade dos produtos e serviços que passariam a ser oferecidos. Melhor continuar como estamos.


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