Porto seguro

Após aumento de capital de R$ 600 milhões, LLX ganha musculatura para tocar seus dois projetos portuários

Bimestral / Relações com Investidores / Temas / Edição 76 / 1 de dezembro de 2009
Por 


No começo do ano, quando o mercado parecia recluso e ainda resistente à liberação de crédito, o empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX, deu uma tacada de mestre. Capitalizado, enfiou a mão no bolso e colaborou massivamente com o aumento de capital de R$ 600 milhões da LLX, sua empresa de infraestrutura logística. Na mesma operação, arregimentou um novo — e importante — sócio: a BNDESPar, braço de participações do BNDES, que passou a deter 4% do capital total da LLX.

A jogada foi estrategicamente pensada para fortalecer a confiança do investidor nos principais projetos da LLX: a construção do Porto do Sudeste e do megacomplexo portuário Porto do Açu. Lançados no embrião da jovem LLX, os dois projetos seriam erguidos, conforme amplamente anunciado, com apenas 25% de capital próprio e 75% de dívida.

“O mercado reagiu rápido e positivamente, logo os papéis começaram a subir”, diz Victor Mizusaki, analista do Itaú BBA, que projeta o preço-alvo de R$ 7,20 para a ação da LLX. O especialista do banco lembra que, no ano passado, os papéis da companhia se desvalorizaram porque os projetos da LLX demandariam um grande volume de financiamento. Era natural que houvesse uma desconfiança em relação à execução das obras, uma vez que o cenário era de escassez de recursos. Nos últimos seis meses, porém, as ações da LLX se valorizaram 245,54%, enquanto o Ibovespa, 30,1%.

Agora, os investidores estão com os olhos atentos para a promessa de uma safra generosa de boas notícias envolvendo os projetos bilionários da LLX. “E serão muitas”, garantiu, em conversa com Lente de Aumento, Otávio Lazcano, presidente da LLX. O Porto do Açu, orçado em US$ 1,6 bilhão e em fase construção, é um empreendimento gigantesco, com dez píeres (seis para movimentação de carga a granel e quatro para carga geral). Possui embarcações de apoio a atividades offshore, além de uma profundidade de 18,5 metros. Localizado em São João da Barra, ao norte do Rio, o “Superporto do Açu”, como vem sendo chamado, conta com retroárea de 7,8 mil hectares, projetada para abrigar um polo industrial que hospedará duas siderúrgicas, duas cimenteiras e uma montadora.

Lazcano não quis adiantar se mais novidades chegarão para um brinde de fim de ano. Mas o mercado já pode comemorar o anúncio da vinda do grupo chinês Wuhan Iron & Steel (Wisco) ao País, que será uma das siderúrgicas a se instalar no Porto do Açu. O negócio prevê investimentos de US$ 4 bilhões para a construção de uma planta capaz de fabricar 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano. Trata-se de uma operação maior, pois envolve a MMX, o braço de mineração do grupo EBX. O pacote a ser negociado contempla a aquisição de participação acionária do grupo chinês na MMX, por US$ 400 milhões, mais um contrato de fornecimento de minério de ferro para a siderúrgica Wuhan por 20 anos. A EBX será sócia dos chineses no projeto. Segundo analistas do setor, a compra das ações da MMX pela Wisco será feita a partir de um aumento de capital da mineradora que deve superar US$ 400 milhões.

Além da siderúrgica com os chineses, a LLX assinou um protocolo de entendimentos com outro grupo — cujo nome Lazcano mantém em sigilo — para construção de mais uma usina de aço. Ao todo, segundo ele, a LLX possui 66 contratos e memorandos de entendimentos assinados com companhias dos setores siderúrgico, elétrico, metalomecânico, petroleiro, e cimenteiro. Na apresentação na Apimec, a companhia informou que os investimentos no distrito industrial do Açu poderão alcançar US$ 36 bilhões.

O último deles foi assinado com a Camargo Corrêa Cimentos, em meados de novembro, que se comprometeu a estudar a viabilidade de implantação de uma fábrica de cimento no complexo do Porto do Açu. O acordo, que também englobará a importação de coque de petróleo para suprimento das unidades de produção de cimento da Camargo Corrêa, conforme comunicado divulgado pelas empresas, deverá gerar uma receita anual da ordem de R$ 30 milhões para a LLX Açu.

Em setembro, foi a vez de a LLX e a Votorantim Cimentos fecharem acordo para realizar estudos de viabilidade da implantação de uma unidade de produção de cimento. Juntas, estabeleceram prazo de 150 dias para finalização dos estudos e, caso haja aprovação, para celebração dos instrumentos contratuais. O Porto do Açu começou a ser construído em outubro de 2007, e o início da operação está previsto para 2012.

Também em construção, o porto do Sudeste (localizado em Itaguaí, Rio de Janeiro) demandará US$ 740 milhões em investimentos. Situado perto da ferrovia da concessionária MRS, poderá ser a saída logística do minério de ferro da MMX e de outras mineradoras instaladas em Minas Gerais que não têm um porto por onde escoar sua produção.



Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie

Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Terra abalada
Próxima matéria
Por que a sua empresa não divulga o regimento interno do conselho?




Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Leia também
Terra abalada
Em agosto do ano passado, quando o mercado de capitais estava de cara feia, a SLC desfilou pela segunda vez nos salões dos investidores....