Polêmica familiar

Para surpresa da audiência, profissionalização plena de empresas é defendida em encontro do FBn

Governança Corporativa/Temas/Edição 64 / 1 de dezembro de 2008
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Profissionalizar, para as empresas familiares, é um tema, no mínimo, delicado. Os defensores da boa governança familiar costumam dizer, com todo o cuidado, que a profissionalização é recomendável. Mas sempre ponderam educadamente que um membro da família pode, sim, ser o melhor nome para a vaga. O tempo passa, e o desconforto com a idéia continua o mesmo, como ficou evidente no 19º encontro anual do Family Business Network (FBN) — associação de empresas familiares de todo o mundo —, ocorrido entre os dias 20 e 22 de outubro, em Nova Délhi (Índia).

O ponto alto do evento foi a apresentação de Sunil Mittal, presidente da Barthi Enterprises e um dos empresários mais respeitados do planeta. O magnata afirmou sua crença na profissionalização plena. “Os participantes ficaram perplexos em saber que ele não vê sentido na participação de membros da família na operação das empresas”, conta Herbert Steinberg, presidente da Mesa Corporate Governance, que esteve no evento.

Correntes teóricas mais recentes defendem a minimização, ou mesmo a exclusão, de membros familiares da operação das companhias, afirmando que sua participação deveria se concentrar no conselho de administração. Mas boa parte da platéia pareceu ainda não estar receptiva a essas idéias. Para potencializar a controvérsia, o Lombard Odier Darier Hentsch 2008 — prêmio concedido à empresa familiar do ano — foi para as mãos da espanhola Roca, que também não tem nenhum membro da família na operação. Sobre sucessão, Jose Miguel Roca, CEO da empresa ibérica, declarou: “Devemos ajudar filhos e sobrinhos, dando-lhes educação de qualidade, para que sigam sua vida. E só”.

Interpelado por uma indignada senhora norteamericana que perguntou “como os herdeiros vão se sentir com essa posição?”, Mittal respondeu: “Isso é problema deles”.




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