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Parcerias de valor

 

O que faz da América Latina e, especificamente, do Brasil regiões observadas com muita atenção por investidores do mundo todo? Um dos principais motivos é o potencial de oferecer resultados. De acordo com o estudo Dynamic growth: value creation in Latin America, feito pela Ernst & Young e a Emerging Markets Private Equity Association (Empea), os gestores de fundos de private equity alcançaram um retorno quase duas vezes maior na América Latina do que nos Estados Unidos e na Europa nos últimos cinco anos. Os bons resultados são frutos, em boa parte, da resiliência da economia latino-americana ante os solavancos da crise internacional – e, numa medida semelhante,da dedicação dos gestores em melhorar operacionalmente as empresas como formade alavancar o crescimento. As companhias da América Latina que receberam aportes desses fundos registraram, em média, um aumento de 45% nos resultados medidos pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).Na Europa e nos Estados Unidos, esse índice chegou a 13,5%.

“A oportunidadepara as empresas que conseguiram atrairos fundos de private equity é obter um aliado para o crescimento.”

O fenômeno é uma boa notícia para os investidores que escolheram a região – e uma notícia melhor ainda para os mercados locais. Em 2011, a América Latina atraiu US$ 8,4 bilhões em capital comprometido. Desse montante, a maior parte – US$ 7 bilhões – veio para o Brasil.

A oportunidade para as empresas que conseguiram atrair os fundos de private equityé obter um aliado para o crescimento. “Um ponto-chave apontado por nosso estudo é a importância dos fundos de private equity para a expansão das empresas de médio porte”, diz Carlos Asciutti, sócio-líder de Private Equity da Ernst & Young Terco. “Na América Latina, os gestores têm se debruçado sobre o operacional das companhias em que investem, num esforço para torná-las mais eficientes e capazes de alcançare suportar grandes taxas de crescimento.”

É esse modelo que tem ajudado os investidores a garantir resultados. Trata-se de empresas com um grande potencial a ser explorado em seus negócios principais – e que atuam em mercados igualmente promissores. De acordo com o estudo, 80% da expansão do Ebitda das companhias que contam com investidores na América Latina veio do crescimento orgânico das receitas. Comparando-se com o mercado de Estados Unidos e Europa,fica clara a diferença. Lá, o crescimento orgânico das receitas responde por 44%do aumento no Ebitda.

O estudo aponta que a abordagem empreendedora adotada pelos gestores dos fundos de private equity na América Latina deve servir como modelo para os mercados maduros. Até então, nesses países, o mais comum era que os investidores buscassem resultados por meio de operações financeiras – e não pela reestruturação operacional dos negócios. “Com a crise, surgiu a necessidade de mudar de estratégia”, afirma Asciutti. O Brasil também tem sua lição de casa. “Há muito a fazer para garantir a evolução do mercado de private equity no longo prazo”, observa Asciutti. “É preciso trabalhar para a evolução dos mercados de capitais e de dívidas, para que os fundos possam diversificar a estratégia e ampliar as oportunidades de saída.”