Papéis ao vento

No embalo do potencial eólico, ações da Renova Energia valorizam mais de 100%

Bimestral/Relações com Investidores/Temas/Edição 93 / 1 de maio de 2011
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Foi o vento que carregou o papel da Renova Energia. Após uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) conturbada em julho de 2010, a companhia virou uma das queridinhas do pregão. Nos seis meses terminados em 31 de março, as ações da geradora de energia oriunda de fontes renováveis subiram 144,62%. A principal receita da Renova continua vindo de três pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), na Bahia, com potência instalada de 41,8 megawatts (MW). Mas é o potencial dos projetos de energia eólica que tem inflado o apetite dos investidores. A Renova voltou-se para esse nicho em 2006, deixando em segundo plano os projetos hidrelétricos, seu principal objetivo ao ser fundada em 2001.

Nos leilões de energia de reserva do governo federal de 2009 e 2010, a Renova se sobressaiu. Vendeu contratos para gerar energia eólica com uma capacidade instalada de 446,6 megawatts (MW), em parques que entrarão em funcionamento a partir de 2013. Se levarmos em conta os contratos comercializados até 2010, a capacidade total instalada no Brasil de geração de energia pela ação do vento será de, aproximadamente, 5.300 MW. Isso deixaria a Renova com 8,4 % do mercado nacional daqui a dois anos.

Embora ainda incipiente, o mercado brasileiro de produção de energia eólica mostra-se promissor. Uma demonstração clara foi dada pela CPFL no início de abril. Por R$ 1,5 bilhão, a companhia comprou a Jantus — controladora da SIIF Énergies do Brasil, subsidiária da divisão de energia renovável da francesa EDF — e aqueceu de vez o segmento. Com a aquisição, o potencial de geração de energia eólica da CPFL chegou a 1.077 MW. A operação transformou a empresa num player de destaque no mercado doméstico de energia eólica e evidenciou o amadurecimento do setor.

O movimento serviu para redimensionar os valores de parques eólicos e dos portfólios de projetos de todo o setor. Foi com base nisso que analistas do banco Santander, em relatório de abril, afirmaram que os papéis da Renova não estavam caros após chegarem a R$ 35,47 em 31 de março. Dois meses antes da aquisição, em janeiro, o banco havia definido o preço-alvo da unit (uma ação ON e duas PN) para o fim de 2011 em R$ 30,45. “O espaço para a valorização das ações da Renova é grande”, sustenta o analista do Santander Márcio Prado.

Os investimentos das companhias e a realização constante de leilões estão atraindo os principais players globais. Com a formação de uma cadeia produtiva, os preços de equipamentos melhoram, assim como as condições de crédito. “O cenário é bastante diferente de 2009, antes do leilão, quando o Brasil tinha apenas dois fabricantes de equipamentos. Agora, a maioria dos grandes players mundiais está aqui”, afirma Ricardo Delneri, diretor-copresidente da Renova.

Esse movimento tende a se fortalecer com a criação da Brix, plataforma eletrônica de comercialização de energia elétrica anunciada em abril. A nova bolsa de comercialização aposta na triplicação do mercado de energia livre — no qual grandes consumidores, como indústrias, compram diretamente dos geradores —, chegando a R$ 75 bilhões ao ano. Dentre os sócios estão a IntercontinentalExchange (ICE), desenvolvedora de plataformas de negociação em mercados de energia elétrica e commodities, e empreendedores brasileiros, incluindo o bilionário Eike Batista.

Embora a Renova atue por enquanto apenas no mercado regulado, Delneri vê oportunidades. “A nova bolsa é interessante para todos os geradores que não estão coligados aos grandes distribuidores”, observa. Para o executivo, a Brix poderá aumentar a transparência das negociações no mercado livre. Independentemente disso, adianta Delneri, “em função do baixo preço da eólica hoje”, o mercado livre é uma opção em estudo pela Renova, que já começou a tratar o assunto com clientes.

Além do amadurecimento do mercado, uma série de notícias positivas seguiu-se à oferta inicial da Renova. Em agosto de 2010, no terceiro leilão de energia de reserva, a companhia comercializou seis novos parques eólicos, garantindo mais 153 MW de capacidade. Em novembro, foram contratadas as empresas para realização das obras dos 14 parques comercializados em 2009, todos na Bahia. Em dezembro, foi aprovado o financiamento para o empreendimento, concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), no valor de R$ 904,5 milhões, completados com recursos próprios para dar conta do investimento de
R$ 1,17 bilhão. As obras começaram em 25 de fevereiro.

O sucesso atual da Renova também é fruto do fracasso de outrora. A companhia faria sua oferta inicial em março de 2010, mas a adiou para julho, com valores mais modestos, o que pode ter deixado o preço das ações subvalorizado. O plano inicial era vender 25,72 milhões de units, a preço entre R$ 19 e R$ 25, com um giro financeiro de até R$ 867,9 milhões. Em julho, a oferta foi reduzida para 10 milhões de units, a preço entre R$ 15 e R$ 17. Com garantias de compra do Santander Equity e do Fundo de Investimento em Participações Caixa Ambiental (FIP Ambiental), prevaleceu o menor valor, e a empresa levantou R$ 160,7 milhões.

Apesar da baixa liquidez das ações da Renova — o volume médio de negociação diária ultrapassou R$ 1 milhão só em março —, os riscos são diluídos no longo prazo, na avaliação de Márcio Prado. “Para fazer investimento numa empresa dessas, o investidor deve entender que a maturação do portfólio de projetos vai demorar anos. O fundamental não é a liquidez, mas, sim, a avaliação das perspectivas de crescimento e o quanto as ações estão descontadas”, conclui o analista do Santander. Se os ventos continuarem a favor, a companhia só terá a ganhar.


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