Os ricos também compram

Com fortes vendas para a classe A, Le Lis Blanc planeja chegar a cem lojas próprias até 2013

Captação de recursos/Bimestral/Temas/Edição 90 / 1 de fevereiro de 2011
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Enquanto a invasão da classe C no mercado consumidor se consolida como um dos motores do crescimento da economia brasileira, as ações de uma empresa dirigida a gente endinheirada registraram a maior valorização da Bolsa no segundo semestre de 2010. Nesse período, a Restoque Comércio e Confecções de Roupas S.A. viu seus papéis subirem 134,73%. Muitos podem não reconhecer esse nome, mas certamente ouviram falar da sua marca mais badalada, a mesma usada no pregão: Le Lis Blanc. Além da grife voltada a mulheres com alto poder aquisitivo, o grupo detém a Bo.Bô (Bourgeois Bohême), também focada no público feminino, porém com estilo mais “descolado”.

A companhia tem hoje uma roupagem bem diferente de seu início. Fundada por uma dupla de empreendedoras, Traudi Guida e Rahyja Afrange, em 1982, a empresa funcionava apenas como ponta de estoque. As sócias compravam sobras de lojas de confecções e as revendiam. A ideia deu certo até esses fornecedores se organizarem melhor e evitarem excessos, deixando escassa no mercado a matéria-prima. As fundadoras vislumbraram, então, um grande espaço para lançar uma marca voltada às mulheres de alta renda e, em 1988, surgiu a Le Lis Blanc.

Em 2007, uma segunda mudança estrutural reforçou a companhia. O controle da Restoque passou para as mãos da gestora de private equity Artesia, que a preparou para a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de abril de 2008. Embora a abertura de capital tenha vindo após o boom de emissões de ações de 2007, e pouco antes da crise de liquidez que atingiu o mercado, ela ocorreu em um momento propício para o varejo brasileiro. Está nesse ponto um dos motivos para a alta expressiva dos papéis nos últimos meses. A primeira onda de valorização ocorreu com as ações de maior volume de negociação e de companhias mais conhecidas do setor, como Lojas Renner, Marisa e Cia. Hering. “As menos líquidas ficam para trás porque não são percebidas tão rapidamente. No segundo momento, essas ações começam a se destacar”, explica Felipe Miranda, analista da Empiricus Research.

A estratégia de servir a um público disposto a pagar mais pelas roupas figura dentre os pontos fortes das marcas da Restoque. Isso fez a empresa conquistar um faturamento por metro quadrado acima de grandes redes do varejo brasileiro, tradicionalmente voltadas à classe C. “A Le Lis também redimensionou para baixo a quantidade de funcionários nas lojas recém-inauguradas, reduzindo a despesa com pessoal. Além disso, começou a aumentar a importação de produtos chineses mais baratos, diminuindo custos e aumentando as margens”, observa Miranda.

Os indicadores despertaram o interesse do mercado. A Restoque divulgou números animadores nos demonstrativos financeiros, que impulsionaram a escalada do preço das ações. Exibiu um crescimento acumulado nos primeiros nove meses do ano, em relação ao mesmo período de 2009, de 31% na receita líquida, 94% no Ebitda e 219% no lucro líquido.

Para deixar os investidores ainda mais eufóricos, a Restoque anunciou um plano de expansão ousado. Planeja usar recursos próprios para abrir 54 lojas próprias da Le Lis Blanc durante o triênio 2011/2013 — 28 neste ano, 20 no próximo e seis em 2013, até alcançar cem lojas próprias no fim de 2013. “A empresa aumentou bastante a expectativa de crescimento que ela mesma tinha divulgado”, observa Luis Augusto Pacheco, analista da Omar Camargo Investimentos.

De acordo com Pacheco, outro aspecto que agradou o mercado foram as previsões para a segunda marca do grupo, a Bo.Bô. Os planos, nesse caso, não são menos ambiciosos: chegar a 56 lojas até o fim de 2012 e a 57 em 2013. Hoje, são 10 unidades. A grife foi adquirida pela companhia em outubro de 2008 e teve a primeira loja aberta em março de 2009, na cidade de São Paulo.

Após um 2010 espetacular, os analistas se mantêm confiantes nos papéis da Le Lis Blanc. Com a abertura de novas unidades, o faturamento da Restoque tende a subir ainda mais, e a expectativa é de uma valorização menor, mas ainda rentável para os investidores. Uma razão para o otimismo está nas proteções da Restoque contra a inadimplência em ascensão no varejo. Em primeiro lugar, porque a classe A costuma manter o consumo elevado mesmo quando alguma crise bate à porta. Adicionalmente, a Le Lis Blanc tem como política não oferecer crediário ou cartão próprio. “O risco da inadimplência, a partir do momento em que você divide a conta no cartão de crédito, é da empresa do cartão. Então, não há esse perigo para a companhia”, diz Pacheco.

Neste ano, a Restoque vai investir em vendas pela internet. Ao divulgar os números do Natal de 2010, em 28 de dezembro, a companhia declarou que vai antecipar a inauguração do sistema de comércio eletrônico para os primeiros meses de 2011. Em comunicado, informou que a boa aceitação do novo website, associada à sua performance de vendas no quarto trimestre, motivou essa decisão.


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