Operação militar

Bimestral/Relações com Investidores/Temas/Edição 91 / 1 de março de 2011
Por 


Em março de 1964, o Brasil estava à beira de uma convulsão política e econômica. O governo João Goulart se perdia em providências demagógicas e agressões à propriedade e à iniciativa privada: tabelamento de preços, ameaças e perseguições a empresas e empresários. Em plena guerra fria, o País parecia pender, definitivamente, para o lado da cortina de ferro.

No dia 13 daquele mês, o presidente da República decretou, num comício realizado na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, a desapropriação das refinarias de petróleo de propriedade particular. Eram quatro empresas apenas, todas com ações negociadas em bolsa: a Petróleo União, de Capuava; a de Manguinhos, no Rio de Janeiro; a Ipiranga, em Uruguaiana; e a do Amazonas, em Manaus. Pequenas, não ameaçavam nem de longe o monopólio da Petrobras. A hostilidade ao capital estrangeiro era crescente, mas nenhuma das refinarias tinha controle externo. Aquela operação denotava que, na realidade, o objetivo do governo era atingir a propriedade privada dos meios de produção. A marcha da estatização da economia parecia implacável.

Os sinais “antinegócios” emitidos pelo governo colocaram o mercado de ações em uma desvalorização constante desde 1963, interrompendo uma fase de grande expansão no ano anterior. Em 1962, com a inflação fora de controle, a busca por ações, que representavam ativos reais, era uma das ferramentas de defesa contra a desvalorização da moeda. Outro motivo para o ciclo positivo tinha sido uma intensa especulação em torno das ações da União Brasil Bolívia de Petróleo, subsidiária da Petróleo União que firmara contrato para exploração de óleo e gás em território boliviano.

A desapropriação das refinarias de controle privado serviu como impulso final de uma queda livre que as bolsas viveram por duas semanas até o fechamento de 31 de março, um dia antes da tomada de poder pelos militares. Os mercados reabriram somente em 6 de abril, após a definição das linhas do novo governo, pondo fim ao pânico vivido no primeiro trimestre. A estatização das refinarias foi anulada imediatamente. O mercado se prepararia para viver uma fase de grandes transformações institucionais, com a criação do Banco Central e da Lei do Mercado de Capitais (4.728, de 1965), até iniciar um novo período de alta, em 1967.


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 4,90 (nos 3 primeiros meses).
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 4, 90*

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
-
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$36,00

Completa

R$ 9, 90

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
01 Edição Impressa
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$42,00

Corporativa

R$ 14, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
15% de Desconto em grupos de discussão e workshops
15% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$69,00

Clube de conhecimento

R$ 19, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
20% de Desconto em grupos de discussão e workshops
20% de Desconto em cursos
Acervo Digital
com áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$89,00

**Áudios de todos os grupos de discussão e workshops.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Política Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Penas para administrador e controlador podem ser cumulativas, diz STJ
Próxima matéria
Tempo fechado



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Penas para administrador e controlador podem ser cumulativas, diz STJ
Dois ex-administradores e ex-sócios controladores da Perdigão Agroindustrial S.A. ajuizaram ação contra a Comissão de Valores...