O verdadeiro risco

Companhias sem presença de private equity sofrem desconto por maquiar balanços antes do IPO



É de se esperar que as empresas com participação de fundos de private equity e venture capital tenham suas ações mais valorizadas após uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Afinal, a técnicas de gestão injetadas por esses investidores tendem a promover um desempenho mais robusto. Menos intuitivas, porém, são as outras razões que levam à diferença de comportamento entre as ações de companhias pós-private equity e aquelas sem essa experiência. É nelas que se foca o estudo The Dynamics of Earnings Management in IPOs and the Role of Venture Capital: Evidence from Brazil.

Os pesquisadores Sabrina Gioielli, do Banco Central, e Antônio Gledson de Carvalho, da Fundação Getúlio Vargas, concluem que uma justificativa para esse disparate está na melhora artificial dos balanços antes do lançamento das ações pelas empresas que não tiveram um investidor de risco. Essa manipulação — que os autores chamam de “contabilidade agressiva” — ocorreria por meio de brechas na regulação contábil. De acordo com a pesquisa, o trimestre anterior ao IPO é o que apresenta os maiores indícios de desvios. Intervenções como o registro de pagamentos ainda não efetuados e a desaceleração da depreciação fazem com que o valor de uma ação no lançamento seja irreal, o que se comprova com a desvalorização dos papéis já no trimestre posterior à abertura de capital.

Foram analisados os balanços de 66 companhias que fizeram seus IPOs na Bovespa entre 2004 e 2007. Dessas, 37 não tinham participação de capital de risco na gestão. As demais, segundo os autores, tinham o perfil para executar mudanças cosméticas em seus balanços, mas não o fizeram pela presença dos gestores dos fundos. A razão para os números corretos, avaliam, é a manutenção do que esses grupos têm de mais valioso: o sistema de governança. Como o retorno do investimento vem na abertura de capital das investidas, os fundos de private equity e venture capital não podem se descuidar dos balanços para não ter a reputação abalada. Isto poria em cheque todas as outras operações do grupo. Um risco grande demais até para eles.

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The Dynamics of Earnings Management in IPOs and the Role of Venture Capital: Evidence from Brazil.


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Tags:  investimentos Governança Corporativa Private equity e venture capital Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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