O RI ideal

A profecia de que os comunicadores tirariam as vagas dos economistas não se confirmou, e a preferência hoje é pelo meio do caminho entre as letras e os números

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/Especial Relações com Investidores 2010/Temas / 1 de julho de 2010
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Facilidade de comunicação, sólidos conhecimentos sobre administração e finanças, formação em ciências exatas, noções de legislação. Junte um repertório considerável sobre os negócios da companhia para a qual trabalha para obter o perfil do profissional de relações com investidores (RI) ideal. A formação mais adequada para esse executivo? Bem, essa é uma pergunta menos simples de responder. Há alguns anos, apregoou-se que a atividade penderia cada vez mais para o lado da comunicação. Jornalistas e profissionais de relações públicas substituiriam os então financistas, em sua maioria graduados em administração, economia ou engenharia. O tempo passou, a atividade de RI se expandiu — acompanhando o aumento no número de companhias abertas —, mas a mudança radical não ocorreu. A habilidade no trato com os números confirmou-se absolutamente necessária e, nem sempre, conciliável com os talentos dos comunicadores natos. Equilibrar essas duas vertentes parece ter virado o desafio dos executivos que assumem a tarefa. E o potencial para exercê-la com competência, independentemente da formação, tornou-se a premissa fundamental dos headhunters que saem à caça do RI perfeito.

Segundo a 4ª Pesquisa sobre o Profissional de RI, realizada pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) em 2009, os administradores prevalecem no segmento, seguidos pelos economistas. Houve um aumento de engenheiros na função de RI, e uma redução constante nos que têm formação em contabilidade. Pessoas com formação em outras áreas, como a do direito, também têm se candidatado ao cargo com mais frequência. “Os advogados, além de serem bem articulados, sabem interpretar a regulamentação”, diz Regina Sanchez, diretora de desenvolvimento profissional do Ibri. “É uma área multidisciplinar”, afirma essa engenheira de produção, Superintendente Relações com Investidores Institucionais do Itaú Unibanco.

Dificilmente, alguém entra em uma graduação imaginando que vai trabalhar em RI. Por isso, é comum existir uma série de lacunas de informação para quem chega à área. Para suprir essas deficiências, por sugestão do Ibri, a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) criou, em 2001, o MBA Finanças, Comunicação e Relações com Investidores.

A procura maior é de profissionais com formação nas áreas financeira e de administração, segundo Marina Yamamoto, coordenadora do curso. “Existe uma demanda real de qualificação nessa área, pois já passaram pelo MBA em torno de 300 alunos”, conta.
O curso tem 30% de suas disciplinas voltadas para comunicação. Com duração de 18 meses, aborda temas como legislação societária, aspectos de competitividade em microeconomia, planejamento estratégico, comunicação empresarial, marketing e matemática financeira.

Embora voltado para formação de gerentes e líderes na área de relações com investidores, o curso atrai jornalistas. “Todas as turmas do MBA, desde a primeira, tiveram em torno de 20% de jornalistas que cobrem empresas, que orbitam o mercado de capitais”, informa Marina. A afinidade entre RI e jornalismo deve-se a uma competência considerada cada vez mais imprescindível para o RI: a de “vender” a companhia para o investidor. “Ninguém espera contar com um especialista em todas as áreas, mas com um profissional que saiba argumentar e se posicionar perante o mercado e os países com que a empresa negocia. A destreza do RI como comunicador será testada o tempo todo”, afirma Arleu Anhalt, presidente da Firb, consultoria de relações com investidores. Segundo André Jacques Pasternak, diretor da Fesa, empresa de recrutamento de executivos, a “presença na hora de falar” é um diferencial importante para os que desempenham a função. “Buscamos alguém que some competências”, admite.

 

O superintendente de relações com investidores do Itaú Unibanco, Geraldo Soares, valoriza mais a postura do que a formação do profissional que contrata. “Se há um domínio de quem vem de administração e finanças no setor é porque são essas as pessoas que vão trabalhar no mercado de capitais. Pelo fato de a formação em humanas fornecer uma amplitude de pensamento, essas pessoas podem se tornar indispensáveis no trato com os investidores”, assegura Soares, ele próprio com formação original em Sociologia e especialização em Economia. Há dois anos à frente da gerência de relações com investidores da Lopes Consultoria Imobiliária, Sâmia Oliveira Nemer concorda que o perfil do RI transcende a formação. “Talvez a única exigência mais objetiva seja a fluência em inglês. E uma boa rede de relacionamentos também ajuda”, resume.


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