O melhor dos tempos?

Bimestral/Relações com Investidores/Editorial/Temas/Edição 89 / 1 de janeiro de 2011
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Se você se assustou com a capa preta desta edição e com o tom de alerta da chamada principal, aí vai um consolo: o espírito deste número da CAPITAL ABERTO está, na verdade, tão azul quanto o céu que marcou a capa de janeiro do ano passado. Na matéria de projeções setoriais, a partir da página 12, corremos o risco de o leitor se cansar de tantas expectativas de crescimento do consumo, da renda, do crédito, dos investimentos, do País. O otimismo se mantém, apesar das medidas restritivas anunciadas pelo governo federal para segurar a inflação. Para os investidores de Bolsa, o único lamento é o fato de boa parte dessa alegria, é claro, já estar computada nos preços das ações.

Até no setor imobiliário, cuja valorização estupenda dos últimos anos começa a deixar os investidores mais experientes com uma pulga atrás da orelha, ainda tem gente prevendo mais alguns anos de crescimento. O aumento da renda sugere que há uma demanda potencialmente capaz de sustentar a oferta e os preços elevados.

O pacote do Ministério da Fazenda para estimular o financiamento de longo prazo das empresas, divulgado em dezembro, coroou o cenário. Há muitos anos se diz que as captações com debêntures não deslancham por falta de um ambiente secundário de negociações ativo. Agora, o governo decide liberar uma parte do compulsório dos bancos para formar um fundo que dará liquidez a esses títulos. A medida soa como música nos ouvidos dos agentes do mercado. Parece até mentira.

Os problemas, por sua vez, se sofisticam. O assunto não é mais a importância de as companhias abertas dialogarem com seus acionistas, mas sim a dificuldade que as modernas estruturas montadas pelos bancos com derivativos podem adicionar a esse processo. Na reportagem sobre governança desta edição, em vez de falarmos da tendência de os conselhos de administração profissionalizarem a sua atuação, tratamos de um tema que está alguns degraus acima desse: a delicada definição dos limites de responsabilização dos conselheiros.

Parece que as soluções e as dificuldades do mercado de capitais estão se tornando mais complexas e instigantes. Uma ótima notícia para quem, como nós, vive de organizar e transmitir essas reflexões a quem possa interessar. Um ótimo começo de ano para todos.


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