O Indiana Jones dos mercados emergentes

As aventuras de um verdadeiro “caçador de tesouros” pelos vários cantos do mundo

Gestão de Recursos/Prateleira/Temas/Edição 70 / 1 de junho de 2009
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Robert sempre foi cativado por outras culturas e atraído por viagens. Em sua adolescência, viajou para a Turquia e, lentamente, um mundo diferente de Boston (EUA), onde foi criado, se descortinou. Nessa época, sua ligação com o mercado de títulos de dívida de países emergentes ainda estava distante de acontecer. No entanto, o motivo para querer trilhar novas aventuras estava bem na sua frente. O que Robert mais desejava era fugir do destino do pai, um modesto, mas bem-sucedido, cobrador de dívidas, que pretendia deixar para o filho sua carteira de clientes. Robert, porém, tinha outros planos.

Em 1968, ainda em Boston, quando muitos jovens fugiram para o Canadá para escapar da guerra, Robert, com o diploma fresquinho de advocacia em mãos, embarcou para o Vietnã. Lá, em vez de atuar na linha de frente como soldado, serviu dois anos na US Agency for International Development (Usaid). A partir daí, sua jornada o levou a El Salvador e, quem diria, ao Brasil. Foi aqui que Robert conheceu sua esposa e iniciou carreira na área financeira, no banco de investimentos Deltec, em 1971.

De volta aos Estados Unidos, na década de 70, rendeu-se temporariamente aos negócios de coletor de dívidas. Até que uma oportunidade capaz de mudar a sua vida bateu à porta: receber US$ 25 mil de um importador turco que devia a uma empresa americana. Essa negociação permitiu que descobrisse algo interessante: o devedor queria honrar a dívida, mas a Turquia não dispunha de dólares para oferecer. O país, com severos problemas em seu balanço de pagamentos, teria de emitir títulos de crédito denominados em dólares. Caso a empresa devedora comprasse esses títulos, bastaria trocá-los pela moeda americana para quitar a dívida. A partir dessa experiência, Robert embrenha-se decididamente no negócio das dívidas soberanas do terceiro mundo (o termo “emergentes” nem sequer havia sido criado).

Melhor do que chamar Robert de investidor seria caracterizá-lo, como ele mesmo diz, de atravessador (“middleman”). Seu negócio não é comprar os fundamentos econômicos não refletidos nos preços das obrigações de dívida, mas sim comprar aqui, vender ali e embolsar o “spread”. Tratando-se de títulos pouco líquidos, esse valor pode ser substancial. Hoje, com globalização, internet e terminais Bloomberg, é difícil imaginar esse tipo de ineficiência do mercado. Mas foram pioneiros como Robert que desbravaram as oportunidades que os bancos de investimento abraçaram na década de 90.

Por fim, incursões a Nigéria, Rússia e Iraque. Uma vez provado o gosto da aventura, Robert começou a construir seu negócio ao redor do empreendedorismo financeiro. Desnecessário dizer que nem sempre ele seguiu a disciplina de comprar e revender. Às vezes, a aventura o levava a fazer apostas direcionais nos títulos. E esse canto da sereia do lucro fácil cobrou seu preço em ouro. Embora a história tenha tido um final feliz em 2001, Robert chegou a perder boa parte de seu patrimônio instantaneamente na crise russa de 1998. Como ele mesmo disse, para ter sucesso na área de investimentos, stick with your knitting, ou seja, atenha-se àquilo que sabe fazer bem.


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