O grande salto

Confrapar investiu em dois jovens que enxergaram a deficiência do Orkut, criaram a sua própria rede e hoje têm mais de 1 milhão de usuários

Gestão de Recursos/Especial/Reportagens/Private Equity e Venture Capital 2010/Temas / 1 de novembro de 2010
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Foi através do Google, o mais famoso site de busca da internet, que Renato Shirakashi, 26 anos, e Diego Monteiro, 27, fundadores da rede de relacionamento profissional Via6, acharam a solução para capitalizar seu negócio. Em uma pesquisa feita pelo buscador, eles se depararam com o link patrocinado da Confrapar, gestora mineira especializada em venture capital para empresas de tecnologia da informação e comunicação.

Assim como a Via6, a Confrapar foi criada por amigos com perfis complementares ligados ao setor de tecnologia da informação (TI). Em comum, todos tinham a vontade de montar um negócio nessa área, apesar de não saber exatamente qual. Após quebrarem a cabeça, eles chegaram à conclusão de que poderiam ganhar dinheiro investindo na ideia dos outros e não, necessariamente, em suas próprias. “Foi aí que a Confrapar começou a analisar companhias”, explica Guilherme Cohn, sócio da gestora, fundada em 2005.

Definitivamente, Shirakashi e Monteiro estavam diante dos investidores certos para avaliar e reconhecer o potencial do seu negócio. A ideia de criar a Via6 surgiu a partir de uma “deficiência” que os dois jovens empreendedores enxergaram no Orkut. Usuários assíduos da rede social que virou febre no mundo todo, eles perceberam que, com o passar do tempo, ela deixou de atender às necessidades das pessoas que buscavam interação profissional. Foi aí que decidiram suprir essa lacuna. Instalaram o servidor do site no quarto de Monteiro e começaram a divulgar a comunidade entre os conhecidos. “No primeiro ano da Via6, eu ainda trabalhava como freelancer e estudava para concluir a faculdade”, conta Shirakashi, lembrando dos tempos difíceis que enfrentou até a empresa começar a se popularizar.

A sorte é que isso não demorou muito a acontecer. Em 2007, com apenas dois anos de vida, a rede de relacionamento já tinha 20 mil usuários. O número estimulou a Confrapar a aportar recursos próprios na sociedade. Segundo a gestora, além de um plano de negócios bem estruturado, a Via6 tinha a vantagem de atuar em um mercado em plena expansão e de ser a única, na época, a oferecer uma comunidade que permitia aos usuários trocar informações e conhecimentos profissionais. O americano LinkedIn ainda não havia se popularizado no Brasil.

Tanto a Confrapar como os empreendedores mantêm segredo sobre os percentuais de participação na companhia e os valores investidos. Preferem focar a conversa nas mudanças que o aporte de capital de risco trouxe para a gestão da empresa, aprimorando sua governança corporativa e mantendo as finanças saudáveis. Hoje, por exemplo, os dois fundadores, Shirakashi e Monteiro, estão fora da rotina da Via6. Atuam apenas como integrantes do conselho de administração. No dia a dia, quem está à frente dos negócios é Leonardo Ribeiro Lopes, sócio da Confrapar e diretor executivo da Via6.

De acordo com Lopes, a injeção de recursos da Confrapar permitiu à Via6 dar um salto gigantesco em número de usuários cadastrados. No início de 2009, eram 350 mil. Em outubro de 2010, esse número já atingia 1,3 milhão, e a meta é se aproximar dos 2 milhões até o fim do ano. Para estimular a adesão em massa, o site mudou a sua interface. Com um novo visual, tornou-se mais amigável, simples e direto.

Agora, a atenção dos sócios se volta para novas formas de gerar receita. Atualmente, a maior parte dela vem da exploração de espaços publicitários, via parceiros como o portal Terra e o Google AdSense. A ideia dos executivos é deixar de lado a dependência do ganho publicitário e investir maciçamente em outras ferramentas que terão seu uso cobrado. Elas suprirão necessidades específicas dos usuários, como busca por vagas de emprego e procura por profissionais cadastrados. “A cobrança será apenas para aqueles que quiserem usar as novas ferramentas. A comunidade continuará sendo gratuita”, garante Lopes. Isso permitirá, segundo ele, que o número de usuários continue aumentando juntamente com a receita, que expandiu 1.588% após o investimento da Confrapar.

O modelo de desinvestimento da Via6 ainda não está definido, mas irá gravitar entre os tradicionais meios usados pelo private equity. Pode ser através de uma abertura de capital ou da venda da participação para um comprador estratégico, como uma rede social estrangeira — caminho que tem se mostrado promissor.

Desde junho de 2009, a Via6 participou de quatro negociações com empresas estrangeiras. Em duas, não chegou a um acordo com os compradores, e em outras duas, as discussões foram paralisadas por conta da crise que ainda repercute no exterior. Paralelamente a isso, a Via6 negocia com dois fundos um novo aporte de capital de risco, com o objetivo de acelerar o crescimento.

A Confrapar esbanja vitalidade. Comemora o aumento de capital do fundo HorizonTI de R$ 20 milhões para R$ 40 milhões e a arrecadação de R$ 20 milhões para seu fundo NascenTI, que investirá em empresas inovadoras sediadas no Rio de Janeiro. Além disso, em breve, deve anunciar o lançamento de dois novos fundos ainda em fase de formação.


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