O caminho da especialização

Gestores de private equity concentram seus investimentos em setores específicos

Gestão de Recursos/Especial/Reportagem/Especial Private Equity 2010/Temas / 1 de Maio de 2010
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Quando o assunto é investimento, a recomendação é nunca colocar todos os ovos em uma cesta só. Mas o risco pode valer a pena em troca de uma rentabilidade maior. É o que pensam os gestores de private equity que apostam na criação de fundos segmentados. Dentre os mais badalados, estão os que investem em setores como o de infraestrutura — impulsionado pela realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil, bem como pelos pesados investimentos que serão direcionados aos setores de energia, óleo e gás — e de imóveis, educação e saúde, favorecidos pelo crescimento da renda no País.

A BR Investimentos possui um fundo de R$ 400 milhões dedicado ao setor de ensino, o BR Educacional, que investe na empresa de seminários HSM. Além disso, administra um fundo de R$ 600 milhões direcionado a aplicar recursos em empresas que tenham boas práticas de governança e em preparação para uma abertura de capital. “A especialização está no DNA da BR Investimentos”, afirma Jonas Gomes, sócio da gestora de fundos de private equity, que é controlada pelo sócio-fundador do antigo banco Pactual, Paulo Guedes. “Um investimento que é feito sem expertise pode sair de três a cinco vezes mais caro”, avalia.

Atualmente, a gestora está em fase de captação e estruturação de fundos nos setores de logística, de R$ 500 milhões, e de infraestutura (óleo e gás), entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão. Segundo Manoel Cordeiro, executivo da BR, a especialização proporciona não só a identificação de negócios melhores, com taxas de retorno mais atrativas, como uma visão semelhante à de um investidor estratégico — que poderia ser uma empresa do mesmo ramo de atuação.

“A indústria de private equity se sofisticou no País e, cada vez mais, a especialização torna-se necessária”

Para cada atividade da economia em que se propõe a entrar, a BR Investimentos contrata algum grande nome do setor. No caso do segmento de educação, o próprio Paulo Guedes possui uma larga experiência nessa área. Já para a coordenação do setor de energia, a BR trouxe David Zylbersztajn, chefe da Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre 1998 e 2001. O setor de logística, por sua vez, conta com a assistência de Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).

“A indústria de private equity se sofisticou no País e, cada vez mais, a especialização torna-se necessária. Não é possível saber sobre tudo”, reconhece Alexandre Saigh, sócio fundador da Pátria Investimentos e responsável pela área de private equity da empresa.

Hoje, a gestora — que possui R$ 6,5 bilhões em carteira — tem quatro unidades de negócios dividas por tipo de transação ou atividade econômica. Duas delas — uma voltada a investimentos de private equity no segmento de infraestrutura e outra à área imobiliária — têm, respectivamente, R$ 2,2 bilhões e R$ 1 bilhão sob gestão. “A segmentação pode proporcionar uma vantagem competitiva dentro da indústria de private equity”, ressalta Saigh.

Existem hoje 35 fundos em captação e outros 30 serão lançados nos próximos 12 meses. Boa parte deve vir com um direcionamento setorial

PRÓS E CONTRAS — Outra vantagem da especialização é a maior receptividade dos empreendedores. Ter um sócio que entende da área tranquiliza os empresários, que em muitos casos veem os fundos de private equity com reservas. “As operações de private equity mais rentáveis foram efetuadas por fundos de viés generalista. É natural que, agora, em uma segunda fase, surjam os fundos setoriais”, observa Leonardo Ribeiro, sócio da Ocroma Alternative Investments. De acordo com um estudo feito pela gestora, existem atualmente 35 fundos de private equity em captação e outros 30 serão lançados nos próximos 12 meses. Boa parte da atual safra já deve vir a mercado com um direcionamento setorial, estima Ribeiro.

Há, no entanto, quem veja esse movimento com mais ceticismo. O sócio da Neo Investimentos, Henrique Teixeira Álvares, acredita que a vulnerabilidade ainda não compensa a concentração dos investimentos em um só setor. Isso porque o fundo pode ficar altamente exposto a eventuais mudanças de ventos na atividade econômica do segmento em que investe ou mesmo a alterações específicas na legislação — hipótese que, no Brasil, não é nada improvável. “A diversidade setorial é um importante fator de mitigação de risco”, diz o executivo. “Hoje, podemos dizer que somos um fundo de private equity generalista, porém direcionado. Olhamos com profundidade dez setores da economia”.

Outros gestores optam pelo meio-termo entre a especialização e a diversificação.
“Na prática, acabamos nos focando em alguns setores, embora sejamos generalistas”, assegura José Luiz Osório, da Jardim Botânico Investimentos, que estuda com atenção oportunidades nos setores de logística, infraestrutura (óleo e gás) e tecnologia da informação.

INVESTIDORES FOCADOS — Há também segmentos em que os principais players são especializados. Um exemplo é o magnata americano Sam Zell, considerado o papa do mercado imobiliário. O megainvestidor adquiriu no Brasil participações acionárias na construtora Gafisa, na proprietária de shopping centers BR Malls e na Bracor, empresa que atua no segmento de galpões e imóveis industriais. Além disso, possui investimentos na AGV Logística, na construtora Tenda, de imóveis populares, e na Brazilian Finance & Real Estate, de hipotecas residenciais, securitização de recebíveis e estruturação de fundos imobiliários.

A necessidade de especialização nasce da dinâmica do mercado imobiliário, que tem características bastante distintas de outras áreas. Dentro do segmento de imóveis, o investidor pode encontrar três divisões: imóveis residenciais, torres de escritórios, e shopping centers, cujo desempenho está atrelado ao comércio e ao consumo. Essas particularidades explicam também o aparecimento de mais fundos de private equity especializados nessa área.

Segundo Alexandre Pierantoni, sócio da área de corporate finance da PricewaterhouseCoopers (PwC), além do mercado imobiliário, outros segmentos, como o de tecnologia da informação, demandam, dos fundos de investimentos, um tratamento diferenciado. “Nesse setor, ao contrário do imobiliário, as taxas de crescimento são aceleradas, mas os riscos também podem ser mais elevados”, explica.


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