Nova roupagem – CIA. HERING | 2º LUGAR VM entre R$ 5 bilhões e R$ 15

Reestruturação estratégica, investimento em lojas e terceirização da produção impulsionam crescimento da Cia. Hering

Relações com Investidores/Reportagem/Temas/As Melhores Companhias para os Acionistas 2012 / 1 de outubro de 2012
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Trikotwaren Fabrik Gerbruder Hering. Esse é o nome original da marca que virou sinônimo de camiseta no Brasil e que, atualmente, atende apenas pelo nome de Cia. Hering. Desde 2007, quando decidiu voltar ao mercado de capitais com a promessa de capilarizar a marca com a abertura de lojas, até dezembro do ano passado, as ações da empresa se valorizaram 786,36%. As vendas brutas, de 2007 a 2011, passaram de R$ 442 milhões para R$ 1,6 bilhão, e os dividendos pagos aos acionistas saltaram de R$ 23 milhões para R$ 171,6 milhões. O valor de mercado da Hering, por sua vez, passou de R$ 600 milhões para R$ 5,2 bilhões. Os números dão pistas do por que a Hering é uma das vencedoras do prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas 2012. A empresa leva, este ano, a medalha de prata na categoria valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões.

Qual o segredo para números tão exuberantes? “Investimos na marca Hering, que representa quase 60% da receita”, resume Fábio Hering, presidente e integrante da quinta geração. A companhia atua no varejo com mais três marcas além da tradicional: Hering Kids, PUC e dzarm. Até se tornar a Hering que conhecemos hoje, a empresa, fundada por imigrantes alemães, passou por uma transformação de figurino. Deixou para trás coleções com preços altos e reposicionou a marca.

O pilar que sustentou a correção de rota foi uma pesquisa de mercado com um dado precioso: 90% dos brasileiros conheciam a Hering. O lado negativo? A freguesia das classes B e C achava a marca cara. E ela era, de fato. Mas fazer roupas de maior valor agregado foi um truque de uma Hering que, na década passada, tinha deficiência no fluxo de caixa. Produzir um portfólio de peças mais caras, na época, dava a sensação de que a empresa vendia menos, mas ganhava com maior rentabilidade. Ledo engano. Os prejuízos vieram e mostraram o contrário.

O número de lojas Hering chegou a 432 no fim de 2011. A meta é fechar este ano com mais de 500

Nova tática traçada, a Hering passou pelo teste de fogo no mercado de capitais. Fez uma oferta de ações (primária e secundária) na Bolsa, arrecadando R$ 311 milhões. Do que entrou no cofre da companhia, metade serviu para capital de giro. A outra parte foi usada para reduzir o endividamento e viabilizar o investimento em abertura de pontos de venda. O número de lojas Hering Store chegou a 432 no fim de 2011. A meta é fechar 2012 com mais de 500. Este ano, a companhia vem sofrendo os revezes do cenário macroeconômico e de um inverno ameno: as vendas no segundo trimestre do ano, de R$ 460 milhões, ficaram abaixo das expectativas. Ainda assim, a Hering teve um lucro líquido de R$ 85,2 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A alta deve-se, dentre outros fatores, ao aumento do Ebitda (de 12,8%) e da margem Ebitda (de 28,7%). Os bons resultados garantiram à Hering um incremento fabuloso de 12,25% no valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês) — a mediana de sua categoria ficou em acanhados e negativos 0,39%. Para Fábio, a performance se deve às mudanças na gestão da empresa, o que incluiu, além das medidas citadas acima, a terceirização de boa parte da produção (60%). “A Hering possui um modelo de negócios bastante diferenciado, em que extrai valor de várias etapas da cadeia de produção — própria, via terceiros e de outsourcing (compra de produtos já acabados), o que nos permite ter um rígido controle de custos”, diz.

No período avaliado pelo prêmio, de maio de 2011 a maio de 2012, as ações da Hering subiram 19,2%, enquanto o Ibovespa caiu 15,7%. A empresa também tem sido generosa com a distribuição dos dividendos aos acionistas. “Temos ultrapassado bem mais que os 25% do lucro líquido, uma vez que o negócio tem gerado caixa suficiente para cobrir as necessidades de investimentos da companhia”, garante Fábio. Graças a esses fatores, a companhia ofereceu um retorno total para o acionista (TSR) de 5,38%.

Na opinião de Fábio, isso é resultado de uma combinação de fatores, em especial pelo fato de a companhia ter uma postura bastante ativa no mercado, ser acessível aos investidores, buscando melhoria na liquidez das ações, qualidade e transparência nas informações. Para o futuro, dentro das boas práticas, a empresa espera poder fazer parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da bolsa.

Desde que se listou no Novo Mercado, em 2007, a Cia. Hering passou a ser mais criteriosa na gestão dos negócios. A empresa tem, por exemplo, três conselheiros independentes e criou dois comitês — um de remuneração e outro financeiro. Contudo, alguns pontos em sua governança ainda precisam ser aprimorados: a Hering não tem, por exemplo, em seu site, uma seção dedicada à governança, em que são informados ou apresentados, no mínimo, a eventual presença de comitês no conselho; e dados sobre conselheiros independentes. Devido a esses fatores, a companhia obteve nota 6,2 no item governança.




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