Muito risco, pouco retorno

Captação de recursos/Edição 6/Temas / 1 de fevereiro de 2004
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As ineficiências do mercado de ações no Brasil chegam a contradizer até os princípios mais elementares das teorias de investimentos. Se é consenso para todos que mais risco significa mais retorno, melhor esquecer quando se trata de bolsa. Estudo realizado recentemente pela consultoria Bain & Company com uma análise do comportamento das ações do Índice Bovespa em um período de oito anos (1995 a 2003) mostra que, para um mesmo nível de risco, pode-se encontrar os mais distintos retornos.

O caso que mais chama atenção é o do segmento de energia elétrica. As empresas apresentam um dos riscos mais elevados da bolsa, atrás apenas de telecomunicações e petróleo e gás, mas oferecem ao investidor retorno negativo no período. Já o setor de alimentos, embora menos arriscado nos termos da metodologia aplicada (o uso do indicador beta), oferece retorno anual superior a 10% no período. Os segmentos de papel e celulose e siderurgia, mais arriscados que o de alimentos, proporcionam ao investidor ganhos pouco superiores aos que teriam se estivessem com os recursos na poupança. “Esses investidores poderiam ter passado esses oito anos bem mais tranqüilos, sem observar o sobe-e-desce dos papéis, e teriam obtido quase a mesma rentabilidade”, afirma Jean Claude Ramirez, consultor da Bain & Company.

O segmento mais coerente em termos de risco e retorno, segundo o estudo, é o de petróleo gás. Está no extremo da linha de risco, mas oferece retornos atrativos, embora não à altura dos ganhos propiciados por segmentos menos arriscados e com menor liquidez em suas ações, como o de veículos e aeronaves. Eletroeletrônicos, comércio, têxtil e construção, assim como energia elétrica, não conseguiram sequer bater a poupança no período.

No mercado norte-americano, as discrepâncias entre risco e retorno também ocorrem, só que em proporções bem menores. Segmentos de telecomunicações, tecnologia, software e telefonia celular apresentam retornos baixos ou até negativos apesar do risco elevado dos seus papéis. .São investimentos que se justificam pela expectativa de retornos bem mais interessantes no longo prazo ., diz Ramirez.

O segmento de serviços públicos, que engloba as chamadas “utilities”, o mesmo no qual se enquadraria o setor elétrico brasileiro, ocupam lugar na ponta mais conservadora da linha, onde risco e retorno são modestos, porém estáveis. No Brasil, contudo, energia elétrica é de deixar os nervos à flor da pele e ainda levar prejuízo para casa.

O estudo demonstra também que o retorno do setor elétrico é compatível com os resultados das empresas, que demonstram índices de rentabilidade negativos. A exceção são as geradoras e as empresas de transmissão, que apresentaram retorno positivo sobre os ativos e o patrimônio nos balanços de 2002. Na avaliação de Ramirez, os números comprovam que a regulamentação estabelecida não oferece condições sustentáveis para os investidores. Entre os motivos, afirma, está o fato de os repasses de custos não gerenciáveis das distribuidoras estarem desconectados dos desembolsos e também de o modelo de revisão tarifária não remunerar os investidores adequadamente.


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