Merecemos IPOs conscientes

Controladores e executivos não devem se deixar atrair pela falácia da janela de oportunidades

Captação de recursos / Artigo / Temas / Edição 72 / 1 de agosto de 2009
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O mercado de ações está se aquecendo novamente e, em breve, deve adquirir velocidade máxima, caso as expectativas de alguns aspectos econômicos e corporativos se confirmem. O mais interessante é que, pela primeira vez, o mercado acionário brasileiro se sustentará em fortes bases econômicas e financeiras, aliadas a um padrão considerável de governança por parte das companhias.

Evidentemente, para chegarmos a esse patamar, percalços aconteceram. Utilizar-se do princípio “errando é que se aprende” pode ser uma grande imaturidade. Entretanto, equívocos ocorrem; e, em algumas situações, essa filosofia deve ser obrigatoriamente considerada. É oportuno, portanto, nas circunstâncias atuais, questionarmos: como amadurecemos com os erros vividos (ou criados) pelos participantes do mercado acionário brasileiro nos últimos anos?

A primeira lição que tiramos é que os controladores e executivos brasileiros de empresas de capital fechado não devem ser novamente atraídos pela falácia da “janela de oportunidades” do mercado de capitais. Atualmente, nosso mercado está pautado por condições que permitem ao empresariado nacional enxergá-lo de forma estratégica e planejada. Além disso, as companhias precisam encarar uma emissão de ações como um meio e não um fim — refletindo sobre o relacionamento existente com os coordenadores das ofertas para mitigar conflitos de interesse, por exemplo. A transparência sobre a destinação de recursos e consequente prestação de contas deve se tornar uma prática espontânea, possibilitando ao mercado “auditar” a gestão do caixa aportado.

Tivemos, ainda, nos últimos cinco anos, exemplos claros de que um IPO não significa uma simples alteração estatutária. É preciso que o controlador assuma uma postura de administrador de patrimônio alheio. Métricas de curto prazo — que privilegiam o lucro em detrimento do caixa — devem ser evitadas.

Os conselhos de administração, por sua vez, devem evoluir, entender seu papel e ganhar independência. No Brasil, a atuação do presidente do conselho está longe do grau de sofisticação praticado no mercado norte-americano. Lá, o chairman é de fato um participante ativo na definição da estratégia e do gerenciamento de riscos corporativos, tornando-se um porta-voz da empresa perante o mercado. A profissionalização do conselho deve ser condição precedente. Os conselheiros devem ter seu perfil alinhado ao planejamento estratégico das companhias e conhecer os riscos do negócio.

Nesse sentido, cabe às universidades brasileiras absorver essa nova realidade e discutir suas grades curriculares. É fundamental que profissionais formados em administração, economia, direito, contabilidade, dentre outros, reforcem seus conhecimentos, para que venham a contribuir nesta próxima onda de desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro.

Já o mercado deve manter algumas de suas discussões saudáveis e imortais: divulgação de guidance, contratação de formador de mercado, estabelecimento de período de silêncio, utilização de poison pills, definição de estrutura ótima de capital, etc. Os espaços para melhora não se restringem às companhias e aos investidores. A CVM e a Bovespa também podem aprofundar seus trabalhos, que tanto contribuem para a evolução do mercado. Uma medida bem-vinda seria a criação de instrumentos mais claros e eficazes que permitissem aos acionistas reagirem diante de ilegalidades, tal qual o sistema norte-americano com suas ações de classe (class actions).


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