Menos China, mais Indonésia

Richard Foyston

Gestão de Recursos/Reportagem/Especial Entrevistas - Private Equity/Temas / 1 de agosto de 2012
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Há 14 anos, a Navis Capital Partners se dedica a pinçar boas oportunidades de investimentos na Ásia. Dentre as cinco regiões que compõem o maior e mais populoso continente do mundo, uma, em especial, tem atraído a cobiça da gestora. “Conforme o interesse pela China tem decrescido, boa parcela da atenção se volta para os países do Sudeste Asiático”, afirma Richard Foyston, chairman da Navis Capital Partners.

CAPITAL ABERTO — Quais as perspectivas para o investimento em private equity na Ásia este ano?
RICHARD FOYSTON — A perspectiva, a despeito da crise econômica, é de crescimento. A Ásia deve crescer cerca de 5% este ano. Os negócios voltados para a demanda doméstica, como consumo e serviços financeiros, vão bem. Já as companhias dedicadas a exportações devem registrar queda nos negócios devido à crise. Por isso, há de se ter precaução quanto a esses setores.

Os fundos podem esperar boas captações para este ano?
Desde 2008, as captações andam fracas, devido a dois aspectos. Primeiro porque a crise na Europa deixou os investidores mais avessos a risco. Segundo porque, quando a crise financeira de 2008 eclodiu, muitos fundos de private equity já estavam capitalizados. Então, entre 2008 e 2009, as captações pararam. Por volta de 2010, elas começaram a voltar timidamente. Devido à crise europeia, vejo um cenário de captação difícil para este ano. Os investidores estão muito cautelosos para comprometer seu capital agora.

Quais são os países mais atraentes para se investir na Ásia?
Conforme o interesse pela China tem decrescido, boa parcela de atenção se volta para o Sudeste Asiático, seja por meio da criação de fundos regionais ou focados em países específicos.

Algum país em especial nessa região desperta o interesse da Navis?
A Indonésia tem se mostrado muito interessante já há algum tempo. Tem uma população grande (237 milhões de habitantes) e jovem e uma classe média emergente que vem turbinando o consumo interno. Sua taxa de crescimento se mantém em níveis interessantes há mais de uma década. De 2001 a 2008, o país cresceu 5,3% em média e, em 2009, mesmo com a crise, a taxa foi de 4,6%. Nos próximos dois anos, espera-se um crescimento acima de 6%.

Muito se fala dos problemas na Indonésia. O processo de negociação é bem mais demorado que em mercados desenvolvidos, pois as demonstrações contábeis não são confiáveis e os processos de due diligence costumam tomar muito tempo. Ainda assim, o país é atraente?
Nos últimos tempos, a Indonésia melhorou muito. Hoje, o país é o que tem a melhor disponibilidade de mão de obra qualificada. Os governos recentes também têm se esforçado para combater questões crônicas do passado, como o terrorismo e a grande flutuação cambial.

Há espaço para todos os portes de fundos na Indonésia?
Sim. Devido ao seu tamanho, a Indonésia é um dos poucos países capazes de abrigar negócios grandes, acima de US$ 1 bilhão. Outros mercados, como o da Malásia e o da Tailândia, até atraem alguns negócios dessa envergadura, mas não na quantidade oferecida pela economia da Indonésia.

Por suportar negócios grandes, imagino que a concorrência entre os fundos de private equity na Indonésia seja maior do que em outros países do Sudeste Asiático.
A concorrência realmente é maior na Indonésia, com a presença de fundos mais parrudos. Mas com um trabalho de prospecção acurado, sempre é possível encontrar oportunidades interessantes. Nosso foco no país são negócios menores. Preferimos não competir com os grandes players.

Quais setores são interessantes para investir na Indonésia?
Queremos nos concentrar onde os grandes grupos financeiros nacionais e internacionais têm pouco alcance. Por isso, escolhemos como alvo o setor de consumo. Temos investimentos em uma rede de escolas de ensino da língua inglesa e numa cadeia de academias. Também investimos em empresas pequenas e médias do setor manufatureiro.

Por estar no centro das atenções, a Indonésia não está se tornando cara?
Obviamente, o país não está como há dez anos, quando era bem barato adquirir ativos, mas também não dá para dizer que está caro. As companhias abertas talvez estejam com preços mais elevados, pois o mercado de ações na Indonésia tem se fortalecido bastante nos últimos anos. Contudo, no mercado de companhias fechadas, em especial as de pequeno e médio porte, os preços estão atraentes para o investidor de private equity. A Indonésia ainda está longe de ser como a Índia, onde, recentemente, fazer negócios se tornou muito caro.

É hora de se afastar da Índia?
Houve um resfriamento na atividade de private equity por lá. Os múltiplos das empresas indianas vêm caindo, o que significa que o fundo que quiser vender uma companhia indiana hoje provavelmente o fará a preços menores do que quando a adquiriu. Mas continuamos olhando oportunidades no país. Se, por um lado, essa queda nos múltiplos das empresas arrefece as oportunidades de saída, por outro, permite que as compras sejam feitas num nível mais realista.

Que outros países são interessantes na região?
A Tailândia tem boas perspectivas. Possui uma economia que vem crescendo bastante nos últimos anos, além de ser barato investir lá. Também compramos participações em empresas de Cingapura, mas cujas atividades estão relacionadas a outros países da região. São companhias baseadas lá, mas com grande parte das operações na Indonésia, Malásia ou outros países.


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