Pesquisar
Close this search box.
Mais um escândalo na Nyse
Sistema de especialistas é colocado em xeque depois que o maior fundo de pensão dos EUA acusa a Bolsa de Nova York de não impedir práticas fraudulentas contra investidores

, Mais um escândalo na Nyse, Capital AbertoTrês meses após seu ex-chairman ter sido forçado a abandonar o cargo por conta de um constrangedor plano de aposentadoria de US$ 187,5 milhões, a Bolsa de Nova York (Nyse) é surpreendida por uma nova crise. Desta vez, o maior fundo de pensão dos Estados Unidos se aliou a outros investidores institucionais e privados em um processo milionário contra a bolsa norte-americana.

O California Public Employees Retirement System (Calpers), que tem mais de US$ 157 bilhões em ativos sob sua custódia, dos quais U$ 60 bilhões em Wall Street , alega que a bolsa e mais sete corretoras especialistas praticaram negociações fraudulentas que custaram US$ 155 milhões ao fundo. Os advogados da Calpers disseram que o processo pode incluir todos os investidores que negociaram na Nyse ao longo dos últimos cinco anos. As sete corretoras especialistas processadas são a Spear, Leeds & Kellogg (do Grupo Goldman Sachs), Bear Wagner Specialists, LaBranche & Co, Van Der Mollen Specialists, FleetBoston Financial Corp., Perfomance Specialist Group e Susquehanna Specialists Inc.

O FUNCIONAMENTO DA NYSE – A Bolsa de Nova York utiliza um modelo misto de pregão. Se a ação objeto da negociação for de alta liquidez, é provável que alguns operadores se juntem em redor do posto do especialista e troquem ações entre si, adotando o modelo conhecido como “Bolsa de Pregão”. Se a ação for de baixa liquidez, como é o caso da grande maioria das ações e de quase todos os ADRs, os operadores são obrigados a recorrer ao especialista.

Ele é um membro da Bolsa de Nova York credenciado para dar liquidez a um determinado título. Ao receber uma ordem, o especialista é obrigado a apregoá- la em busca do melhor preço. Se encontrar uma oferta melhor do que a que consta do seu livro de ofertas, ele a fechará e enviará a confirmação da sua execução. Se não encontrar oferta melhor, o especialista estará autorizado a fechar a operação pela melhor oferta que constar no seu livro.

São dois os tipos de ordens que ele pode receber: a limitada, uma ordem de compra ou venda a um preço melhor que o praticado, e a ordem de mercado, a mais freqüentemente usada. Neste último caso, a ordem é executada pelo melhor preço disponível no momento e o especialista tem 90 segundos para reportar o negócio.

As possibilidades de fraude ocorrem devido ao fato de o especialista poder operar com carteira própria além de executar suas obrigações de procurar a contraparte com a melhor oferta para cada operador. E é aí que se baseiam as acusações da Calpers. Um exemplo: digamos que um especialista tenha uma oferta de compra a 80,00 e outra de venda a 80,20 para determinado título em sua carteira própria. Durante o pregão, ele recebe, ao mesmo tempo, duas ordens: uma de compra e uma de venda a mercado do mesmo lote. Só que, ao invés de cumprir o seu papel de especialista e procurar as melhores ofertas de venda para o comprador e de compra para o vendedor, ele simplesmente compra a 80 para sua carteira e vende a 80,20 nos 90 segundos que possui em aberto. Fatura 20 centavos vezes o lote de ações, fora as comissões de corretagem.

A Calpers denunciou que a bolsa escondia essa prática manipuladora e enganadora dos investidores. Cinco das sete firmas processadas foram identificadas em outubro de 2003 pela Nyse como objeto de investigação de negociações impróprias no pregão. Na época, a Nyse disse que aplicaria multas de dezenas de milhões de dólares à LaBranche, Bear Wagner, Spear, Leeds & Kellogg, Van Der Mollen e FleetBoston por ignorar o objetivo primário do especialista e,pior, por intervir em benefício próprio.

A NASDAQ TAMBÉM JÁ FOI VÍTIMA – Escândalo desse tipo não é propriamente incomum para as bolsas. Entre 1994 e 1996, a Nasd – a associação nacional dos corretores – e o sistema Nasdaq foram alvo de várias investigações por parte dos reguladores. Dois professores universitários americanos, William Christie e Paul Schultz, fizeram fama através de um artigo no qual, utilizando-se de testes estatísticos, revelaram um cartel entre os formadores de mercado (market makers) da Nasdaq o qual impedia que os spreads caíssem abaixo de US$ 0,25.

A publicação desse trabalho atraiu a atenção do governo e terminou provocando a criação de uma comissão de inquérito no Senado e de investigações pelo Departamento de Justiça norte-americano e pela SEC. O caso resultou na adoção, em 1996, de novas normas para o sistema Nasdaq.

Seus dois componentes principais foram a Regra de Exibição das Ordens Limitadas e a Regra de Cotações. A primeira estipula que, se uma ordem limitada (aquela que prevê um preço melhor que o praticado em mercado) dada por um investidor for mais atrativa que a oferta de um formador de mercado, ela deve substituir esta última ou ser encaminhada para uma ECN (Electronic Communication Network), a rede de comunicação eletrônica que deverá exibi-la a todos os investidores. A segunda regra determina que um formador de mercado não pode colocar cotações diferentes no sistema Nasdaq e numa ECN, a não ser que a ECN torne o melhor preço visível a todos os participantes.

A Nasdaq é uma bolsa eletrônica sem pregão, operadores ou especialistas. Quem faz o mercado são os market makers, corretores autorizados a agir como principal, ou seja, comprar e vender por conta própria. A exemplo dos especialistas da Nyse, os market makers são obrigados a criar liquidez para um ou vários papéis ao mesmo tempo, durante o decorrer do pregão. As ofertas que aparecem no vídeo são colocadas por centenas de market makers e dezenas de ECNs, todos competindo entre si e criando condições para que os investidores obtenham um preço justo para seus negócios.

Suspeitas de fraude se devem ao fato de o especialista operar ações também para sua carteira própria

FUSÃO NASDAQ-NYSE – No começo de dezembro de 2003, o presidente da Nasdaq, Robert Greifeld, aproximou- se da Nyse numa conversa sobre a possibilidade de fusão das duas bolsas gigantes. Essa combinação, antes impensável, pode ter grandes implicações na maneira como as ações são negociadas. Atualmente,a Nyse, que completou 211 anos de existência, continua com seu pregão de leilão humano enquanto na Nasdaq os operadores negociam através de um sistema de computadores interconectados por todo o mundo.

A decisão de proceder com esta conversa será do novo presidente da Nyse, John Thain, ex-executivo da Goldman Sachs que assumiu o cargo no dia 15 de janeiro. Ele substituiu John Reed, que havia assumido o posto interinamente em setembro do ano passado após a renúncia de Grasso.

Uma decisão de fusão entre as bolsas aumentaria a preocupação dos órgãos antitruste. Juntas, elas teriam quase 100% das ações listadas nos EUA. Por outro lado, as firmas de Wall Street poderiam economizar com a fusão das suas duas mesas de negociação, passando a pagar apenas uma taxa de filiação.Ainda que a fusão demore anos ou, simplesmente, não ocorra, há potencial para que a Nyse e a Nasdaq simplifiquem suas estruturas e criem uma grande bolsa norte-americana.


Para continuar lendo, cadastre-se!
E ganhe acesso gratuito
a 3 conteúdos mensalmente.


Ou assine a partir de R$ 34,40/mês!
Você terá acesso permanente
e ilimitado ao portal, além de descontos
especiais em cursos e webinars.


Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o limite de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês.

Faça agora uma assinatura e tenha acesso ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais


Ja é assinante? Clique aqui

mais
conteúdos

APROVEITE!

Adquira a Assinatura Superior por apenas R$ 0,90 no primeiro mês e tenha acesso ilimitado aos conteúdos no portal e no App.

Use o cupom 90centavos no carrinho.

A partir do 2º mês a parcela será de R$ 48,00.
Você pode cancelar a sua assinatura a qualquer momento.