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Sem acesso ao mercado, companhias abertas ampliam o peso do financiamento bancário nos seus passives

Captação de recursos/Bimestral/Temas/Edição 75 / 1 de novembro de 2009
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Durante a crise financeira, a escassez de fontes como o mercado internacional e as captações via ofertas de ações aumentou a demanda por crédito bancário e alterou o perfil do passivo das companhias abertas brasileiras. Essa é uma das informações reveladas por um mapeamento inédito das características do financiamento da economia nacional feito pelo Centro de Estudos em Mercado de Capitais (Cemec).

Em 2004, o crédito bancário respondia por 78,3% dos passivos das companhias listadas em bolsa, enquanto 21,7% tinham como origem títulos de dívida (debêntures, commercial papers e CCBs). Nos anos seguintes, os títulos da dívida passaram a dominar, até alcançar 92,3% em 2008. Neste ano, os efeitos da crise influenciaram os números. O crédito bancário voltou a ganhar espaço e assumiu quase 35% do passivo em moeda nacional.

Os bancos públicos tiveram um papel relevante ao compensar a redução de recursos oferecidos pelas instituições privadas. Desde 2000, a taxa de crescimento anual dos bancos públicos saltou de 20% para 40%. Já os bancos privados fizeram o caminho inverso, caindo de 40% para menos de 15% no encerramento do primeiro semestre de 2009.

O trabalho mostrou ainda que, em 2009, pela primeira vez desde 2006, o saldo de financiamento das empresas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) interrompeu um longo ciclo de expansão e caiu de 39,8%, em dezembro para 2008, para 39%, em junho de 2009. Até então, o crescimento era superior a cinco pontos percentuais ao ano. “A partir de 2006, esse ritmo se acelerou porque tivemos mais espaço para captar, seja através do aumento do crédito bancário, da retomada do mercado de capitais ou dos desembolsos do BNDES”, analisa Carlos Rocca, coordenador técnico do Cemec.

A desvalorização dos ativos de renda variável por conta da crise também não impediu que o saldo de instrumentos do mercado de capitais subisse de 40,9% para 63,5% do PIB – sendo que mais da metade desse aumento se deveu aos títulos de dívida privada. A série histórica de dados coletados pelo Cemec promete ser a base para o desenvolvimento de uma matriz de fluxo de fundos completa, como a que existe em outros países.




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