Líquido precioso

Fornecimento de água de reúso da Sabesp para o Polo Petroquímico do ABC gerará R$ 40 milhões por ano em faturamento extra

Especial/Governança Corporativa/Reportagem/Sustentabilidade – Coletânea de Casos/Temas / 1 de abril de 2011
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Estágio intermediário entre o esgoto bruto e a água potável que chega às torneiras, a água de reúso alia sustentabilidade a geração de receita – duas palavrinhas que as companhias adoram e que, juntas, fazem brilhar os olhos de qualquer acionista. Produzida pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), a água de reúso é imprópria para consumo humano, mas pode ser empregada em diversas atividades industriais e de serviços. Atualmente, a companhia fatura R$ 1,7 milhão por ano com a venda dessa água. Mas o valor pode crescer, e muito, com o início das operações do Aquapolo em 2012, que abastecerá o Polo Petroquímico do ABC Paulista com mais de mil litros por segundo de água de reúso. Sozinho, o projeto gerará uma receita de R$ 40 milhões por ano.

A construção do Aquapolo exigirá investimentos de R$ 253 milhões. Desse total, a Sabesp vai desembolsar cerca de R$ 120 milhões, e o restante será investido por um consórcio de oito empresas do Polo, capitaneado pela companhia Foz do Brasil, do grupo Odebrecht. No acerto, a proporção de lucros e despesas será dividida em 51% para a Foz do Brasil e 49% para a Sabesp. O contrato de abastecimento dura até 2043.

O volume de água de reúso gerado no Aquapolo economizará 1,6 bilhão de litros de água dos mananciais paulistas por mês, volume suficiente para abastecer uma cidade de até 600 mil habitantes no período. “É o quinto maior projeto de água de reúso do mundo e o maior do hemisfério sul. Ao ficar pronto, dará o passo definitivo que a empresa precisa para gerar receitas significativas através de um plano sustentável de consumo”, avalia Marcelo Morgado, assessor ambiental da Sabesp.

A meta da companhia paulista de água e esgoto é que, até 2013, cerca de 1,5% do volume total de água comercializada seja oriundo do processo de reúso. Para que isso aconteça, a Sabesp batalha para convencer seus clientes a adotarem esse tipo de água em suas atividades. A companhia já recebeu o laudo positivo que autoriza a aplicação da água de reúso na mistura da argamassa produzida pela construção civil. Além disso, aguarda os resultados de estudos sobre a utilização do produto na irrigação de terras secas, tornando-as aptas para o plantio. “Esse processo de convencimento é lento e se tornou o grande entrave para a atividade deslanchar para valer”, reconhece Morgado.

A meta é, até 2013, ter cerca de 1,5% do volume total de água comercializada oriundo do processo de reúso

Além de reduzir os custos da Sabesp com a transformação de esgoto em água potável, o reúso de água representa uma economia para os consumidores. Enquanto a água normal de consumo custa R$ 10 por metro cúbico, o preço da água de reúso sai, em média, por R$ 3 para empresas e órgãos públicos. No ano passado, a Sabesp vendeu mais de 1,7 milhão de metros cúbicos de água de reúso para 55 clientes que utilizam o serviço no Estado de São Paulo. A quantidade equivale a 1,7 bilhões de litros de água. O volume corresponde a apenas 30% da capacidade de produção das estações de tratamento para reúso. “Antes de a Sabesp iniciar esse trabalho, as empresas e os órgãos públicos utilizavam água potável de qualidade para processos primários, que não necessitavam de água com essa qualidade”, diz o assessor ambiental da empresa.

A maioria dos consumidores que utiliza o produto é formada por empresas (90%). Elas aplicam o material em atividades como refrigeração de equipamentos, geração de energia, terraplenagem e até sistema de combate a incêndio. Os outros 10% são contratos firmados com órgãos públicos, que usam a reserva de reúso na lavagem de ruas, praças e monumentos.

Apesar das suas vantagens, o projeto de reúso significou menos de 0,3% do 1,9 bilhão de metros cúbicos de água que a Sabesp comercializou em 2010, segundo o demonstrativo financeiro da companhia. Um dos entraves é o investimento que as empresas necessitam fazer para receber o produto. É preciso construir galerias independentes de ligação com as estações de tratamento de esgoto (ETEs) ou adquirir caminhões pipas para o transporte. Segundo as normas técnicas do setor, se esses caminhões levarem a água de reúso, não podem mais transportar água potável, ainda que sejam esterilizados e desinfetados. “O processo encarece um pouco o produto, mas, ainda assim, a água de reúso custa para as empresas cerca de 40% menos que a potável. Dependendo do volume e da negociação, esse percentual pode diminuir ainda mais”.

Com o intuito de reduzir esses custos operacionais, a Sabesp testa alternativas para o transporte através de reservatório flexível móvel, feito de lona de caminhão. O projeto, em fase de testes, está sendo tratado como prioridade. A Sabesp espera que o Brasil possa atingir os níveis de utilização de água de reúso registrados em Israel e na Espanha. Nesses países, o volume de água de reúso comercializado pelas empresas de abastecimento equivale a 80% e 12% do total, respectivamente. “O projeto tem potencial para ser referência mundial de sustentabilidade e de racionalização desse bem tão precioso que é a água”, acredita Morgado.


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