Jogo de forças

Maior fundo de pensão dos EUA promete dificultar a captação de empresas com má governança

Governança Corporativa / Temas / Edição 109 / 1 de setembro de 2012
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O Calpers, fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, pretende usar os seus US$ 237 bilhões em ativos sob gestão para pressionar as empresas a seguirem boas práticas de governança. No mês de agosto, divulgou a intenção de elaborar um documento que consolide suas expectativas em relação ao tema. Estreantes no pregão que não atenderem aos requisitos estarão, automaticamente, fora do radar da gigante californiana. Serão excluídas, por exemplo, empresas que tenham ações com poder de voto distinto. A Calpers pretende ter o suporte de outros investidores para essa iniciativa. Numa agenda de trabalho publicada em 13 de agosto, declarou que está à procura de apoio de “investidores globais, administradores de fundos e redes de investidores das quais é membro”.

A iniciativa é uma resposta a emissões de ações realizadas em 2012, como a da rede social Facebook e a da Carlyle, não convergentes com as melhores práticas de governança. A empresa de Mark Zuckerberg foi ao mercado com duas classes de ações, e uma delas tinha poder de voto dez vezes maior que a outra. Já a Carlyle tentou inserir uma cláusula em seu prospecto que obrigava os investidores a resolverem disputas com a companhia por meio de arbitragem, proibindo-os de usar as ações judiciais coletivas — as class actions, em inglês — para buscar indenizações.

Também preocupam o fundo californiano algumas condições especiais concedidas pelo Jobs Act a companhias com faturamento de até US$ 1 bilhão. Assinado este ano pelo presidente Barack Obama para facilitar a captação de recursos por empresas pequenas e médias, o pacote de leis permite, por exemplo, que essas emissoras arquivem confidencialmente o prospecto preliminar da oferta pública. No sistema anterior, esse documento ficava aberto a potenciais investidores no site do regulador.



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