Investimentos em curso – COPASA | 2º LUGAR VM até R$ 5 bilhões

Copasa sacrifica seu lucro para aumentar o índice de esgoto tratado e, consequentemente, as suas receitas

Relações com Investidores/Temas/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2012 / 1 de outubro de 2012
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Segunda colocada no prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas 2012, na categoria de empresas com valor de mercado até RS 5 bilhões, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) sabe bem o que precisa fazer para aumentar o faturamento. Detentora dos direitos de explorar o saneamento em mais de 600 das 833 cidades mineiras, a lei a autoriza a cobrar mais dos clientes caso eleve o índice de esgoto tratado. “A regra de concessão nos permite cobrar um adicional de 50% do gasto de um consumidor com água pelo recolhimento de seu esgoto. Quando o esgoto é tratado, esse adicional sobe para 90%”, explica Paula Vasques Bittencourt, diretora de relações com investidores (RI).

Com 124 estações em funcionamento em Minas, a Copasa quer inaugurar outras 80 até 2013, ampliando o índice de tratamento dos atuais 60% para 80%. “Nos últimos dois anos, investimos R$ 800 milhões na expansão de nossa capacidade de tratamento. O momento de colher os frutos desse processo está chegando”, diz. Segundo Paula, a empresa, que tem uma carteira cativa de 13,8 milhões de clientes, planeja ampliar a receita, também, através da conquista de novas concessões, como a que fez, em julho de 2012, em Guaxupé, cidade de 50 mil habitantes no Sudoeste do estado.

No segundo trimestre deste ano, o lucro líquido da Copasa ficou em R$ 2,9 milhões, redução de mais de 20% em relação ao mesmo período de 2011. A queda, explica Paula, reflete uma alta pontual nos investimentos em infraestrutura, essencial para assegurar o aumento das receitas no médio prazo. “Nossos custos administrativos, de energia elétrica e manutenção da rede de abastecimento e coleta, são bem controlados e tendem a cair proporcionalmente, à medida que ganhamos mais escala e ampliamos nossa atuação”, diz a diretora de RI.

Com 124 estações em funcionamento em Minas, a Copasa quer inaugurar outras 80 até 2013

Essa retração contribuiu para a variação negativa de 0,19% do indicador que mede o lucro econômico após despesas operacionais, inclusive o custo do capital, o EVA. O desempenho fraco está ligado, também, ao aumento do custo de capital da companhia, que emitiu R$ 400 milhões em debêntures em novembro de 2011 para financiar a ampliação da sua rede de tratamento. Paula minimiza o impacto do custo de capital, afirmando que a maior parte da dívida líquida, de R$ 1,6 bilhão, é corrigida pela taxa de juros de longo prazo (TJLP), atualmente em 0,45% ao mês. O que realmente a preocupa são as perspectivas tarifárias de seu setor. No último ano, a agência estadual que regula o segmento autorizou um reajuste de 4% nas tarifas. “Nós aguardamos a definição de um marco regulatório nacional, que possa dar mais segurança e transparência ao cálculo dessa taxa”, afirma.

Se o EVA não foi um ponto forte, o mesmo não se pode dizer do retorno total da Copasa para os acionistas. A companhia registrou um TSR-ke de 31%, posicionando-se dentre as melhores de sua categoria nesse quesito. Desde o início do ano até 19 de setembro, as ações CSMG3 tiveram valorização de 37,1%. Além disso, a Copasa tem como prática pagar dividendos trimestralmente. “Distribuímos 35% do lucro líquido”, afirma a executiva.

No critério governança, a companhia obteve nota 5,9, pouca coisa acima dos 5,8 registrados como mediana da categoria. Embora faça parte do Novo Mercado, segmento máximo de governança corporativa da Bolsa de Valores, a Copasa não adota práticas importantes, como ter comitês de auditoria com ao menos 50% de conselheiros externos. Além disso, não divulga uma política formal de dividendos.

Integrante do Índice de Sustentabilidade Empresarial, a companhia ganhou pontos nesse item. Além das ações de preservação dos recursos hídricos, a Copasa prioriza obras de tratamento de esgoto nas cidades onde atua e empreende ações de despoluição implantando sistemas de esgotamento sanitário — redes coletoras, interceptores, estações elevatórias e de tratamento de esgoto — de forma a reduzir gradativamente o impacto ambiental de suas operações. A empresa promove ainda ações de educação ambiental para a formação de cidadãos mais conscientes e realiza o inventário das emissões de gases de efeito estufa ocorridas em suas atividades.




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