Investigando a governança

Governança Corporativa/Editorial/Temas/Edição 72 / 1 de agosto de 2009
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Prestar um serviço ao leitor é tão gratificante para o jornalista quanto dar uma notícia com exclusividade ou em primeira mão. Não é a toa que os jornais diários e as revistas de variedades gostam de testar os cardápios dos restaurantes no anonimato e reservar um espaço em suas páginas para expor com isenção os comentários. Desde que praticado com responsabilidade, o jornalismo de serviço tem o poder de conscientizar os leitores e de pressionar as empresas por melhorias.

No papel de uma revista especializada em cobrir o mercado de capitais brasileiro, a capital aberto se vê no dever de exercer essa função. É o que fazemos mensalmente na seção Pratique ou Explique, por exemplo. Escolhemos uma recomendação de boa governança, localizamos companhias que não a cumprem e pedimos a elas que enviem suas justificativas para a não aplicação de tal prática. Com isso, pretendemos apresentar de forma organizada ao leitor as companhias que aderem e não aderem a determinados princípios, além de expor os argumentos dos administradores para essas escolhas.

Este mês, abrimos mais um espaço para esse tipo de trabalho. A editora assistente Luciana Tanoue observou as políticas de dividendos de várias empresas e fez uma análise crítica desses documentos. Percebeu que várias delas apenas replicam o trecho do estatuto social relativo a dividendos, o que, em princípio, não justificaria a iniciativa de criar um documento à parte para tratar do assunto. Nesses casos, a política pode não passar de um instrumento do marketing da boa governança. A deficiência foi abordada anteriormente no Pratique ou Explique, mas agora é apresentada com as razões que levam a esse comportamento, além dos aspectos que distinguem o contexto brasileiro do internacional. Para as próximas edições, planejamos trazer mais reportagens do tipo.

Com esse trabalho, esperamos não apenas chamar a atenção de investidores, analistas e outros interessados sobre o comportamento das companhias, como instigar os emissores a refletir sobre as posturas adotadas. Em julho, tive a oportunidade de apresentar essa filosofia a colegas indianos, em um treinamento conduzido pela International Finance Corporation (IFC) nas cidades de Mumbai e Nova Delhi para o aprimoramento da cobertura sobre governança corporativa. O objetivo da IFC é encorajar jornalistas de diversas partes do mundo a estimular melhores práticas corporativas por meio de um acompanhamento atento e responsável do tema. Foi uma satisfação para a capital aberto dar o seu exemplo de como ajudar nessa missão.




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