Investidores rejeitam defesas contra ofertas hostis no Japão

Governança Corporativa/Governança/Temas/Edição 64 / 1 de dezembro de 2008
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Duas reportagens recentes ilustram o aumento da rejeição dos investidores a duas práticas contra aquisições hostis comuns no Japão: as poison pills e as redes de participações societárias cruzadas.

Quanto à primeira, uma recente matéria da agência de governança RiskMetrics divulgou notícia inédita de que uma companhia japonesa retirou da pauta da assembléia geral uma proposta de renovação de poison pill em função de ausência de apoio dos acionistas. O caso aconteceu na Works Applications. Chamou atenção o fato de a empresa possuir apenas 15% das ações nas mãos de estrangeiros, mostrando que as poison pills estão cada vez mais sendo rejeita das não apenas pelos investidores internacionais, mas também por acionistas locais. Segundo a agência, mais de 500 companhias japonesas adotaram poison pills desde 2005, quando tal prática passou a ser vista como legítima perante a lei societária do país.

As redes de participações societárias cruzadas (que ocorrem quando duas ou mais empresas possuem ações umas das outras) foram alvo de crítica em uma matéria da revista The Economist do dia 6 de novembro. Segundo a publicação, cerca de 20% das ações negociadas na Bolsa de Tóquio são detidas por outras empresas e instituições financeiras japonesas, criando uma proteção contra aquisições hostis e um ambiente de negócios rígido, com alianças e vínculos quase inseparáveis.

Como exemplo, a Panasonic possuía participações em cerca de 300 outras empresas em março deste ano, a um valor de mercado à época de US$ 4 bilhões. A prática, defendida como cultural pelos gestores japoneses, vem sendo duramente criticada por investidores, principalmente estrangeiros. Em entrevista à The Economist, o gestor Ezaki Glico, do fundo norte-americano Steel Partners, que detém participação acionária em diversas empresas do país, afirma que “os executivos são responsáveis por gerenciarem suas empresas, não uma carteira de ações”.

Conteúdo extra

Acesse a reportagem da agência de governança RiskMetrics.




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