Herdeiros Engajados

Práticas disseminadas pela segunda geração ajudaram Minerva a estruturar expansão e chegar ao Novo Mercado

Governança Corporativa / Temas / Reportagem / Governança Corporativa - Coletânea de Casos 2012 / 1 de julho de 2012
Por 


 

A ligação da família Vilela de Queiroz, fundadora do Grupo Minerva, com o setor de carnes ultrapassa meio século. Começou em 1957, quando os irmãos Edivar, Ibar, Izonel e Antônio abriram uma empresa de criação e transporte de gado em Barretos, interior de São Paulo. Três décadas e meia depois, eles compraram o frigorífico Minerva, em funcionamento na cidade desde 1924. Nessa fase, o time ganhou reforço: os irmãos Ismael e Edvair se juntaram ao negócio. Formava-se, assim, a primeira geração de sócios do Minerva, atualmente um dos três maiores exportadores brasileiros de carne bovina.

O começo foi difícil. Os irmãos tinham experiência na área de criação e logística de gado, mas sabiam muito pouco do setor de abate e processamento. Foi aí que lembraram do primogênito dos quatro filhos de Edivar, Fernando Galletti de Queiroz, então com 23 anos. Interessado em commodities agrícolas desde o tempo de graduação, na Fundação Getulio Vargas, o rapaz trabalhava, na época, como trader na multinacional Cargill e detinha os conhecimentos que faltavam ao pai e aos tios. A aposta foi certeira. Galletti montou um plano de negócios bem-sucedido para o Minerva e, como recompensa, ganhou uma participação no capital da empresa. Em 1997, foi eleito presidente. Para ele, a companhia deveria visar menos ao mercado interno e mais à exportação.

Nos anos seguintes à entrada de Galletti, o Minerva focou-se em expansão. Adquiriu uma série de frigoríficos e passou a crescer 40% ao ano. Era a hora, então, de adaptar as estruturas da companhia à nova realidade. Para levar adiante esse processo, o Minerva instituiu o que apelidou, na época, de “conselhinho”. Formado pelos líderes da segunda geração, o órgão reunia os representantes de cada um dos seis núcleos familiares que inauguraram o frigorífico. Ao todo, 25 pessoas formam a segunda geração — 17 membros da família e oito agregados. As diferenças de idade entre eles chegam a 20 anos.

O conselhinho auxiliou a promover as mudanças necessárias à expansão da companhia. E incentivou a adoção, aos poucos, de boas práticas de governança que culminaram, em 2007, com a listagem da companhia no Novo Mercado da BM&FBovespa. Dentre as medidas implementadas pelos integrantes do grupo estava a adoção de regras claras para a contratação de parentes. Para ingressar na empresa, o familiar precisa ter trabalhado ao menos três anos em outra companhia e passar pelos trâmites normais de seleção. Além disso, só pode concorrer a uma vaga já existente. No grupo, além de Galletti, trabalham dois membros da família, contratados há cerca de dez anos.

Outras propostas da segunda geração incorporadas pelo Minerva foram a constituição de uma holding para organizar os braços de negócios; o estabelecimento de regras para a venda de ações pelos sócios, em caso de desligamento; e a criação de um conselho de administração composto de 50% de independentes. Hoje, dos oito membros que formam o board do Minerva, quatro não têm ligação com a família Vilela de Queiroz: Alexandre Lehoz Mendonça de Barros, João Pinheiro Nogueira Batista, Sérgio Carvalho Mandin Fonseca e José Luiz Rêgo Glaser. A posição de chairman é ocupada pelo pai de Galletti, Edivar Vilela de Queiroz.

Nas diretorias do grupo, a proposta é ter profissionais com perfis variados. “Agregamos pessoas vindas de outros setores para ampliar a leitura de mercado e dos negócios”, diz Galletti. Atualmente, ele, os diretores e a equipe da mesa de operações ficam no novo escritório da companhia, no Itaim Bibi, em São Paulo. A sede, contudo, permanece em Barretos. “Agora dá para fazer road show a pé”, brinca Eduardo Puzzielo, diretor de relações com investidores (RI). No acumulado de 2011, o Minerva registrou lucro líquido de R$ 41,7 milhões, pouco mais que o dobro divulgado no ano anterior. A receita bruta, por sua vez, atingiu o recorde de R$ 4,26 bilhões, crescimento de 19% em comparação a 2010.

Para Galletti, o principal benefício da mudança para o Itaim foi aproximar o centro de decisões do Minerva. Apesar de ter sala própria, o executivo passa quase todo o tempo junto com os colegas da mesa de operações. O clima de informalidade transparece nos trajes de Galletti, que vai para o trabalho de calça jeans e camisa. Aos 43 anos, ele tem cinco filhos. Seria essa a próxima geração de executivos do Minerva? “A empresa está aberta a novos funcionários, vindos da família ou não. O objetivo é que meus filhos tenham boa formação e possam escolher seu próprio caminho.”



Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Novo Mercado Minerva Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Governança para todos
Próxima matéria
Um orgulho para o Brasil




Recomendado para você




Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Leia também
Governança para todos
A ideia de o Nível 2 ter se tornado um forte competidor do Novo Mercado, após a revisão das regras dos níveis de governança...