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Herança preservada
Seguindo os passos do Banco Real, Santander investe no treinamento das lideranças para propagar suas práticas de sustentabilidade

, Herança preservada, Capital AbertoA desconfiança foi imediata. Após o Santander anunciar, em 2007, a aquisição da operação latino-americana do ABN Amro — e com ela o Banco Real —, especulações sobre possíveis cortes de custos começaram a tomar conta do noticiário. Cogitava-se que a tesoura espanhola não perdoaria os programas de sustentabilidade no Brasil, fortemente vinculados à imagem do Banco Real. Quase três anos e muitos cortes depois — inclusive da marca “Real” — alguns projetos foram transformados. “Mas nenhum foi descartado”, garante a diretora executiva de desenvolvimento sustentável do Santander Brasil, Maria Luiza Pinto.

Egressa do banco adquirido, Maria Luiza conta que iniciativas semelhantes nas duas instituições viraram uma só. Os programas de ação social Amigo Real e IR Solidário, por exemplo, depois de reciclados, viraram o Amigo de Valor. Os clientes, fornecedores e funcionários do grupo podem usar o projeto para destinar parte do Imposto de Renda devido à defesa dos direitos da criança e dos adolescentes.

O casamento do Real com a sustentabilidade completaria uma década. Começou em 2001, conduzido pelo então presidente Fábio Barbosa. Foi ele o responsável pela mobilização dos demais executivos do banco para a construção de novas práticas de negócios. “Tivemos muito mais resistência, no início do projeto, dentro do Real, do que no Santander após a fusão”, lembra Maria Luiza. Para ela, isso se deve ao fato de o tema estar muito mais enraizado no cotidiano das pessoas hoje, e também pelo notório valor que a sustentabilidade agregou à marca do Real. Tanto é verdade que os projetos de disseminação de práticas sustentáveis continuam, apesar de Barbosa ter deixado a presidência do Santander Brasil no fim do ano passado.

De acordo com Maria Luiza, nenhuma dessas práticas e políticas seria viável sem a participação efetiva dos 53 mil funcionários do grupo espalhados por todo o Brasil. Afinal, são eles os responsáveis por propagar os conceitos criados pelo banco. Desde a primeira semana de trabalho, os novos contratados participam de cursos obrigatórios de imersão com um módulo específico de sustentabilidade. “Nosso objetivo não é criar políticas para os funcionários adotarem das 9 às 18 horas, fazendo coleta seletiva só para o colega de trabalho ver ou porque há um controle interno”, explica. “Queremos conscientizar as pessoas para que elas pratiquem a sustentabilidade também fora da empresa.”

Em 2010, 22 mil funcionários concluíram os cursos virtuais de sustentabilidade e ecoeficiência

Em 2010, 22 mil funcionários concluíram os cursos virtuais de sustentabilidade e ecoeficiência. Também foram incluídos os temas “consumo consciente” e “orientação financeira” no programa de gestão de carreira e negócios para funcionários do varejo. Todo o conhecimento sobre sustentabilidade adquirido pela organização está disponível no portal Espaço de Práticas em Sustentabilidade, na internet. O material compilado foi transformado em programas de treinamentos virtuais e presenciais, tanto para funcionários quanto para fornecedores e público externo.

Para que os funcionários possam aplicar a teoria recebida no seu cotidiano, o banco formou, em março, a primeira turma de 400 gestores do programa Ser Líder Santander — a segunda começou em abril. O programa, com duração de um ano e meio, tem como propósito desenvolver líderes capazes de traduzir o modelo do banco — baseado nos pilares confiança, inovação, intraempreendedorismo e sustentabilidade — e expressá-lo no dia a dia, favorecendo o engajamento e a criação de valor presente e futuro para todos os públicos. O superintendente comercial Roger Juann de Souza, formando da primeira turma do Ser Líder Santander, utiliza as reuniões periódicas com a equipe para repassar os conteúdos aprendidos. “Tento mostrar que ações cotidianas, como ofertar o produto mais adequado ao cliente, são sustentáveis. A partir de exemplos reais, buscamos discutir como fazer negócios dessa ótica”, afirma. Souza lembra que os cursos internos o inspiraram a adotar soluções sustentáveis na construção de sua nova casa e a sugerir a prática do reúso de água da chuva em seu condomínio.

Há seis anos no grupo, o superintendente comercial André Jatene conta que, no início, achava o tema um pouco intangível, mas o programa de líderes o ajudou a consolidar os conceitos. “Conseguimos mensurar efetivamente o quanto a sustentabilidade agrega de valor, inclusive financeiro. Fica mais fácil recrutar pessoas quando se tem números e argumentos”, esclarece. Na segunda quinzena de março, Jatene viajou para a Espanha para trocar experiências adquiridas no Brasil com colegas da matriz. Dentre elas, as práticas sustentáveis.

O banco também criou internamente o Prêmio Sustentabilidade e Inovação como forma de reconhecimento às boas ideias dos funcionários. Um exemplo premiado foi o projeto Impressão Descentralizada, aplicado no prédio-sede, que registra o número de folhas impressas por funcionário através de seu crachá de identificação. A medida inibiu as impressões desnecessárias e garantiu uma economia de 76% dos cartuchos.


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