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Happy end
Em apenas um ano e meio, Criatec vendeu sua participação na Usix para a norte-americana Ebix, listada na Nasdaq

, Happy end, Capital Aberto

 

A história de investimento do fundo de capital semente Criatec na Usix, empresa que vende softwares para o mercado segurador no Brasil, teve um final feliz. O fundo saiu com dinheiro no bolso, e a companhia com um sócio de renome. Cerca de um ano e meio após injetar R$ 1,5 milhão de recursos na Usix, o Criatec vendeu sua participação para a estrangeira Ebix, líder mundial em soluções de software e e-commerce para o segmento, listada na Nasdaq. Com a transação, a empresa norte-americana está de olho no mercado brasileiro, que tem crescido a taxas de dois dígitos nos últimos cinco anos.

O valor obtido pelo fundo com a venda de sua participação, de 25%, não é revelado devido a um contrato de confidencialidade. Mas, segundo Robert Binder, um dos gestores do Criatec, o montante ultrapassou, e muito, o total investido. Os ganhos podem ainda ser alavancados por um adicional, caso a Usix supere as metas estabelecidas no contrato nos próximos dois anos. “Vendemos nossa participação, porque a proposta foi bastante elevada. Ficamos surpresos com a rapidez do desinvestimento”, afirma Binder.

O casamento entre o Criatec e a Usix começou no início de 2009. Marcelo Sena e seus quatro sócios perceberam que, para crescer e sobreviver, a empresa precisaria ter acesso a mais capital. Isso permitiria à companhia, nascida em Recife, abrir filiais nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o mercado segurador estava concentrado.

O primeiro passo dos sócios foi procurar a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que apoia o capital nascente no Brasil. Contudo, não conseguiram avançar. Para receber o dinheiro da Finep, precisariam apresentar uma garantia real do negócio como contrapartida, o que não podiam oferecer. O contato, no entanto, serviu para que ouvissem falar do Criatec — na época, um fundo novo, criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para fomentar empresas nascentes e inovadoras. Sena e seus sócios foram atrás de informações e conseguiram uma data para apresentar o plano de negócios da Usix a um gestor regional do fundo. Poucos meses depois, foram aceitos e receberam R$ 1,5 milhão do Criatec.

“Todos os sócios pensavam a mesma coisa: melhor ter uma participação menor em uma empresa maior que ser majoritário em uma empresa pequena”, recorda Sena, que, assim como seus sócios, vendeu a participação que detinha na Usix para a Ebix, a fim de se tornar apenas executivo da empresa. Com o acesso ao capital e o apoio do Criatec, a Usix mudou de patamar. Os contratos fechados pela empresa, que antes não passavam de R$ 300 mil, superaram a casa do R$ 1 milhão. Se antes havia alguma desconfiança dos clientes em relação à Usix, elas evaporaram quando souberam que o BNDES e o BNB aportaram dinheiro na empresa.

A governança corporativa da Usix também mudou. Com a entrada do fundo, a empresa ganhou um gestor financeiro e um conselho de administração. A contabilidade também foi transformada, já que passou de uma sociedade limitada a uma sociedade anônima de capital fechado. A equipe de funcionários, por sua vez, recebeu novos membros: de 20 pessoas, em 2009, pulou para 40, em 2010. Foram abertos escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, e uma equipe de vendas foi montada para apresentar os serviços da empresa, que trabalha com tecnologia de computação em nuvem aplicada ao setor de seguros. A profissionalização deu resultado. Em 2005, quando a Usix foi criada, seu faturamento era de R$ 400 mil. Em 2009, ano de chegada do Criatec, pulou para R$ 1,5 milhão e, em 2010, alcançou R$ 5,5 milhões.

A Usix tornou-se a primeira empresa desinvestida do Criatec, que tem R$ 100 milhões em recursos — 80% subscritos pelo BNDES e 20% pelo BNB. A gestão do fundo é feita por um consórcio formado pela Antera Gestão de Recursos, da qual Binder faz parte, e pela Inseed. Ambas foram selecionadas em uma concorrência pública realizada em 2007, quando o fundo foi lançado. Enquanto o foco da Inseed é a prospecção de novos negócios, o da Antera é a gestão do portfólio. “Busco analisar os setores em que estamos investindo e a distribuição geográfica dos negócios, para que não haja muitas empresas em uma mesma região”, diz Binder.

Outra característica que chama a atenção no Criatec é a estrutura descentralizada de prospecção de negócios: são sete escritórios regionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Belém, Florianópolis e Belo Horizonte). Cada um deles conta com um gestor regional e, pelo menos, um outro analista de mercado. Esse grupo identifica oportunidades e mantém contato frequente com os empreendedores, para conhecer as necessidades das empresas e alinhar expectativas. No caso da Usix, foi o gestor de Fortaleza que teve o primeiro contato com a empresa.

Em novembro, o Criatec encerrou seu período de investimentos. Ao todo, aportou recursos em 36 companhias. Cada uma delas recebeu R$ 1,5 milhão por uma participação minoritária, que varia entre 25% e 35%. Oito empresas poderão ainda receber uma segunda rodada de investimento, no valor de R$ 3,5 milhões por projeto. “Já há conversas sobre o lançamento de um segundo Criatec”, conta Binder. As 36 investidas atuam em setores diversos da economia, como saúde, tecnologia da informação, biotecnologia, energia, comunicação, agricultura e química fina. Em comum, elas têm a oferta de produtos inovadores em segmentos em que há mercado potencial no País.


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