Sucessão na geração millennial

Bimestral / Governança Corporativa / Informe / Edição 153 / 1 de janeiro de 2017
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Cerca de 90% das empresas brasileiras são de origem familiar, e elas enfrentam o desafio de sustentabilidade e prosperidade para as futuras gerações. Com a chegada dos jovens millennials, seria simplista resumir as questões da sucessão ao conflito de gerações. Entendemos que o cenário atual no mundo — muito mais volátil, complexo, incerto e ambíguo — também deve ser considerado. Os profissionais dessa geração nasceram, cresceram e se desenvolveram já sob influência desses fatores e, por isso, estão mais habituados (e até mais preparados) para encarar suas implicações. Porém, a necessidade de adaptação a esse novo contexto é comum a todas as gerações.

A seguir, destacamos três principais eixos de mudanças nesse processo sucessório.

Novo conceito de sucesso
O tradicional dicionário Merriam-Webster assim define sucesso: conseguir ou alcançar riqueza, posição, honrarias. A questão é que, muito mais do que salário e status, os jovens de hoje se preocupam com qualidade de vida — há uma necessidade maior de conexão entre propósitos e valores pessoais com os da empresa. Significado é igualmente importante. O millennial precisa saber se o que realiza na empresa contribui para o seu desenvolvimento e o dos que o rodeiam.

Forma mais colaborativa de liderar
Aspectos de comando, controle e hierarquia que faziam sentido na era industrial são aos poucos substituídos por complementaridade, colaboração e liderança compartilhada. As novas gerações prezam por maior transparência, e o acesso à informação faz com que o balanço de poder entre líderes e liderados seja mais equilibrado. A questão do bem-estar também é debatida — implementa-se outros regimes de trabalho, com mais horas vagas e flexibilidade, sem prejuízo à produtividade e à qualidade.

Maneiras diferentes de fazer negócio
Novas tecnologias e modelos de negócios estão intrinsicamente conectados. Trata-se, na verdade, do eixo central e diferencial de desempenho de muitas organizações — seja por automação, big data, fontes alternativas de matéria-prima e/ou energia. Os millennials têm uma relação mais próxima com essas novas modalidades de negócios. Cabe a eles criar uma ponte entre os modelos atuais e os novos e dialogar com as gerações anteriores para determinar em que medida tecnologias inovadoras podem impactar a sobrevivência da empresa. Igualmente importante é a conscientização a respeito do impacto social e ambiental do negócio. O maior desafio não é romper com o que existia antes, e sim integrar e transformar sem a descaracterização dos valores dos fundadores.

De qualquer forma, ao se pensar em uma sucessão exitosa, é necessário que ambas as gerações respondam conjuntamente às seguintes questões:

• Descoberta: o que dá vida a nossa empresa familiar?
• Sonho: o que pode vir a ser a nossa empresa familiar?
• Desenho: como podemos alcançar nosso potencial?
• Entrega: Como fortalecer as pessoas para a ação e realização desse sonho?

Uma vez alinhadas, a experiência e a inovação podem gerar grandes resultados para a empresa, além de garantir o sucesso dos negócios por muitas gerações.


*Hugo Nisembaum é sócio líder de Talent & Perfomance da Grant Thornton; Miguel Nisembaum é diretor de Talent & Performance da Grant Thornton


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Tags:  Sucessão Grant Thornton empresas familiares Millennials Sucessão nos negócios Hugo Nisembaum Miguel Nisembaum Sucessão na geração millennial Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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