Salários ocultos

Cerca de 30% das companhias ainda escondem a remuneração de seus executivos

Governança Corporativa/Reportagem/Anuário de Governança Corporativa 2013 / 1 de outubro de 2013
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Passados três anos desde que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instituiu o formulário de referência, ainda é grande o número de empresas que oculta os salários do alto escalão. Da amostra do anuário, 31% usam a liminar do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio de Janeiro (Ibef-Rio) para não divulgar as remunerações anuais mínima, média e máxima da diretoria e do conselho de administração. “As companhias abertas usam a poupança pública para se financiar. É razoável que os acionistas saibam como os executivos são incentivados”, afirma Carlos Eduardo Lessa Brandão, conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Na contramão dessa tendência está a Grendene. Na ata de reunião do conselho de administração de 25 de abril, publicou o salário fixo de todos os seus executivos por cargo. Ao diretor presidente, por exemplo, cabia um honorário mensal bruto de R$ 100 mil; ao diretor de relações com investidores (DRI), R$ 75 mil. “Buscamos fornecer ao acionista todos os números que julgamos importantes para avaliar seu investimento”, ressalta Francisco Schmitt, DRI da Grendene.

Também com o objetivo de reter e atrair bons profissionais, as empresas têm agraciado seus executivos com estímulos variáveis. Os mais comuns são as opções de ações (encontradas em 67% das empresas) e os bônus (55%). “Esses incentivos tendem a crescer ainda mais, uma vez que, em vários setores, a carência de talentos deve perdurar por dez anos”, diz Patricia Epperlein, presidente da Mariaca, consultoria voltada ao recrutamento de altos executivos.

Algumas companhias, no entanto, parecem premiar seus diretores além da conta. Em 2012, a relação entre a remuneração dos administradores e o Ebitda da OSX atingiu 19,3%. O percentual alcançado é bastante superior à média verificada pelo anuário, de 2,3%. “As empresas de Eike eram agressivas na remuneração de seus executivos, mesmo elas apresentando resultados ruins”, diz um consultor.

Entre as companhias analisadas, a Rossi Residencial apresentou a maior relação entre remuneração e Ebitda. No ano passado, pagou R$ 5,7 milhões aos executivos e R$ 1,4 milhão aos conselheiros, cerca de metade de seu caixa operacional. O percentual é estrondoso se comparado ao da construtora Eztec (2,3%). Há algum tempo, incorporadoras e construtoras vêm amargando resultados ruins. A grande maioria sofre para manter o fluxo de caixa no azul e crescer com rentabilidade, o que tem levado equipes a trabalhar com metas ambiciosas. Nesse cenário, a remuneração é usada como diferencial para estimular a virada dos resultados, diz Fernanda Siqueira, sócia da Hays Executive.


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