Guilherme Affonso Ferreira

Regra é regra

Governança Corporativa/Relações com Investidores/Reportagem/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
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Guilherme Affonso Ferreira, sócio da Bahema Participações, é um tradicional ativista societário e um dos maiores investidores individuais do País, com carteira superior a R$ 1 bilhão. Sua experiência está refletida no número de conselhos de administração dos quais participa — hoje tem assento em companhias como Gafisa, Pão de Açúcar, SulAmérica, Eternit e Valid. “Sou um prático do mercado. Entrei pela porta dos fundos e fui aprendendo a pilotar”, diz Ferreira. No plano político, é um otimista com o futuro do Brasil, mas ressalta a importância de não se mudarem as condições do jogo enquanto a partida está em andamento.

Evolução
“Quem viu o Brasil da década de 1980 e o mercado de capitais que possuíamos tem que estar entusiasmado. Evoluímos muito institucionalmente nestes 30 anos, mas, nos últimos tempos, não estamos fazendo mais tanto progresso. O ritmo do desenvolvimento diminuiu e veio o medo de ficarmos para trás. A esquerda tratou o mercado de capitais com alguma distância. As grandes estatais tiveram problemas — como no caso da capitalização da Petrobras, feita com barris de petróleo que ainda nem foram extraídos. Mas isso não é uma exclusividade do PT. Na gestão do PSDB vimos o cancelamento do tag along durante
as privatizações.”

Intervencionismo
“Ter muitos setores da economia com preço disciplinado é um sinal de distúrbio. Da mesma forma, a injusta relação de troca da moeda brasileira atrapalha. A ‘impureza’ no câmbio, assim como as atuações do Banco Central para segurar a inflação e a introdução de impostos para controlar o fluxo de recursos, causou uma distorção econômica que, por sua vez, gera insegurança. O Brasil perde com isso. Estamos muito mais para um País malfalado que o contrário. É possível retomar uma rota positiva, contanto que sejam feitos ajustes.
O mercado de capitais vive em qualquer situação, desde que previamente combinada.”

Apoio ao PSDB
“O próximo presidente será alguém que já existe na política. Particularmente, tenho muito mais medo de grandes virtudes desconhecidas do que dos problemas conhecidos. Em relação à Marina [Silva] e ao Eduardo Campos, tenho receio porque nunca os vi na prática. Ao mesmo tempo, conheço os defeitos do Aécio [Neves]. No quadro atual, votaria nele.”

Voto extra
“Premiar o tempo de permanência do investidor na companhia faz mais sentido do que a igualdade que temos hoje.
O acionista que fica com a ação por um dia tem o mesmo poder de voto daquele que fica anos. Mas, de modo geral, não gosto da ideia, apesar de ser um investidor de longo prazo. O sistema atual não tem nada de ruim.”

Modelo de gestão
“Gosto daquele em que o acionista de referência comprova sua competência a cada decisão. É assim que funciona a democracia do capital. Todo mundo pode ser um Steve Jobs do ponto de vista societário [apesar de não ser o controlador da Apple, os investidores sempre o viram como tal]. E a estabilidade do gestor não precisa ser garantida por regra. Deveria ser muito mais pela cultura dos participantes do mercado do que pelo regulamento. Aliás, nosso arcabouço está melhor do que a cultura.”

Acionista relevante
“Este será o modelo: um acionista relevante que não precisa ter mais de 50% do capital vai comandar. Como percentuais cada vez maiores do capital social migram para acionistas que não se dispõem a participar da gestão, a fatia necessária para dirigir uma companhia acaba sendo muito menor.”


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