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Remuneração média paga aos conselheiros cresce 28%

Governança Corporativa / Reportagem / Anuário de Governança Corporativa 2015/2016 / 1 de novembro de 2015
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2aA despeito das incertezas econômicas, a remuneração paga aos conselheiros de administração tornou-se mais robusta. O valor médio anual cresceu significativos 28% em 2014, atingindo R$ 384 milhões, como mostram os dados de 2015. A Marfrig destacou-se como a empresa com a maior remuneração individual ao ano paga aos membros do conselho — quase R$ 9,6 milhões.

Quando se olha os salários médios recebidos pelos integrantes do conselho de administração das companhias presentes nesta publicação, BRF, Qualicorp e BM&FBovespa aparecem como as melhores pagadoras: desembolsaram, respectivamente, R$ 1.070.990,40, R$ 596.032,09 e R$ 273.779,49 no ano. A responsabilidade de se integrar o board faz com que grande parte das companhias destine cheques expressivos aos conselheiros. Nem todos esses profissionais, contudo, recebem quantias polpudas. Entre as companhias que oferecem salários módicos aos integrantes do board estão Hypermarcas (R$ 13.701,49) e Anima (R$ 14.000,00).

As estatísticas do anuário também evidenciam uma leve redução no número de companhias que concedem stock options aos conselheiros. Na publicação de 2014, o percentual de companhias que ofereciam esse tipo de incentivo atingiu 23%; na deste ano, o número caiu para 17%. Segundo especialistas, a quantidade ainda é baixa quando comparada com outros mercados, como o dos Estados Unidos. “Lá, a maioria das companhias concede ao board incentivos de longo prazo”, destaca Christian Pereira, diretor da área de remuneração executiva da Mercer. No Brasil, diz ele, em média 20% da remuneração total do conselheiro é composta de incentivos variáveis de curto ou longo prazo, enquanto nos Estados Unidos eles representam, em média, de 50% a 60% da compensação total dos membros do board.

Segundo o Código de Melhores Práticas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), os conselheiros devem ser remunerados de acordo com as práticas de mercado, suas qualificações, o valor gerado à organização e os riscos da atividade. A remuneração baseada em resultados de curto prazo deve ser evitada, conforme o instituto, dada a natureza distinta das funções do conselho em relação às da diretoria. Da amostra do anuário, 9% das companhias pagavam bônus aos conselheiros. “O papel desse profissional é buscar a sustentabilidade do negócio ao longo do tempo. Ele não é responsável por entregar resultado de curto prazo”, reforça Henri Barochel, líder da área de remuneração executiva do Hay Group.

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