Menos dinheiro no bolso

Estatísticas mostram redução significativa no ganho médio dos conselheiros de administração

Governança Corporativa/Reportagem/Anuário de Governança Corporativa 2012 / 1 de novembro de 2012
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Dois aspectos chamam a atenção nos dados de remuneração das companhias analisadas neste anuário: a redução dos ganhos dos conselheiros de administração; e o crescimento da parcela variável dos rendimentos, inclusive no caso dos membros dos conselhos de administração.

A remuneração média dos conselheiros caiu 41,32%, passando de R$ 463.570,00, em 2010, para R$ 272.426,00, no ano passado. Parte dessa queda se deve a uma mudança na OGX, que pagara a maior remuneração para um conselheiro em 2010 (R$ 50.113.658,00) e, em 2011, limitou-se a singelos R$ 360 mil. A Cyrela também registrou uma queda forte na remuneração dos conselheiros: a média baixou de R$ 398 mil para R$ 151 mil. Neste anuário, o maior valor pago a conselheiro de administração foi registrado na Ambev — um total de R$ 10.858.173,00.

Apesar da queda no rendimento global, o percentual de empresas que pagam remuneração variável para conselheiros de administração cresceu de 21,21% para 35%. São exemplos de companhias que aderiram a essa prática em 2011 Ambev, Gerdau, Cesp, Cetip, LLX, Tractebel e Suzano. Há um risco não desprezível nesse tipo de vínculo criado por políticas de remuneração, uma vez que os conselheiros não devem estar sujeitos aos mesmos incentivos que movem os diretores.

No caso dos diretores, a remuneração global média subiu de R$ 1,904 bilhão para R$ 1,998 bilhão. Em alguns casos, o crescimento dos ganhos foi expressivo: na Usiminas, por exemplo, a remuneração máxima passou de R$ 3,8 milhões para R$ 6 milhões; a mínima, de R$ 166 mil para R$ 660 mil. O maior valor pago para um diretor, entretanto, sofreu redução nominal de 19,93%: em 2010, o principal executivo da Porto Seguro havia sido o mais bem remunerado dentre as empresas pesquisadas, com R$ 20.520.653,00; em 2011, o máximo foi de R$ 16.430.619, 00, na Ambev. A parcela dos rendimentos que corresponde aos ganhos variáveis da diretoria passou de 51% para 60%.

A grande maioria das companhias (90%) divulga a proporção entre remuneração fixa e variável de seus executivos. A transparência, contudo, ainda está longe de ser plena. Como no ano passado, apoiadas por uma liminar obtida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), 27% das companhias não divulgam a remuneração máxima, média e mínima de seus diretores, e 25% não publicam os ganhos de seus conselheiros.




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