Governança sob medida

Philip Armstrong

Governança Corporativa/Relevo/Edição 131 / 1 de julho de 2014
Por 


Conselheiro sênior de governança corporativa da International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, Philip Armstrong é um dos principais disseminadores do assunto no mundo. Esteve envolvido ativamente na elaboração da versão de 2002 do código de melhores práticas sul-africano, o The King Report. Já naquela época, o relatório enfatizou a necessidade de se revelar, separadamente, os ganhos de cada membro do conselho de administração. A seguir, Armstrong compartilha alguns pensamentos sobre o futuro da governança no plano universal.

Conselho sob escrutínio
“Com a economia global crescendo lentamente, empresas em todo o mundo enfrentam dificuldades para aumentar o desempenho e os lucros. Nesse cenário, os conselhos estarão sob crescente pressão para demonstrar os benefícios da governança. Precisarão investir mais tempo e recursos para avaliar os seus efeitos sobre a performance individual e coletiva do conselho no que diz respeito a avaliações estratégicas, prudência no nível de riscos assumidos e tomada de decisão.”

Percepção coletiva
“Avaliações sobre governança são fundamentais para verificar se uma empresa é uma boa oportunidade de investimento. Nesse sentido, a professora Eva Micheler, da London School of Economics, propõe a criação de um ambiente on-line em que todos os participantes do mercado possam avaliar as empresas listadas em determinado mercado. Segundo ela, a iniciativa poderia aumentar o envolvimento dos investidores com as companhias.”

Fundos de pensão
“Um dos maiores investidores do mundo, os fundo de pensão nem sempre têm exigido de seus consultores e gestores de recursos que se concentrem no crescimento de longo prazo, levando em consideração fatores ambientais, sociais e de governança. Há uma enorme deficiência nos mandatos dados pelos administradores das fundações aos gestores, seja porque eles não sabem como fazê-lo ou porque seguem as orientações de intermediários, como os consultores de investimento.”

Gestão da informação
“Diante do turbilhão de informações recebidas todos os dias, os conselheiros precisarão adotar sistemas mais complexos de gerenciamento de dados. Uma década atrás, os pesquisadores lamentavam o fato de os membros do board frequentemente não terem subsídios suficientes para tomar decisões. Hoje, é o oposto. A tecnologia facilita o acesso instantâneo à informação de uma forma que supera, inclusive, nossas habilidades individuais e coletivas de assimilação e análise.”

Próximo passo
“Nas últimas duas décadas, passos importantes foram dados para regular os mercados, as companhias e, mais recentemente, os investidores. Talvez agora seja o momento de concentrar esforços não apenas nas respostas regulatórias à crise e à aplicação da lei, mas também nos princípios que ditam o comportamento dos investidores. Essa área têm visto avanços modestos até agora.”

Sem tamanho único
“Para o futuro, acredito que as soluções de governança serão mais exclusivas, feitas sob medida para cada organização. Talvez eu seja otimista demais, mas espero que possamos nos afastar de fórmulas prontas, como as exigências de conselheiros independentes e a separação dos papéis de CEO e presidente do conselho. Embora haja valor nessas e noutras recomendações, frequentemente elas falham, porque as empresas não têm a capacidade nem a experiência para colocá-las em prática. Contextos culturais também podem ser um obstáculo. Em alguns países emergentes e em desenvolvimento, o número de conselheiros de administração qualificados é pequeno. Além disso, muitos têm negócios e laços familiares entre si, o que os desqualifica como independentes.”

Foto: divulgação




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