Governança de verdade

As boas práticas consolidam a geração de valor; cabe ao conselho promovê-las

Governança Corporativa / Artigos e Estudos / 20 de março de 2015
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Heloisa Bedicks [arte]Numa época de escândalos corporativos nacionais e internacionais, percebemos quanto as boas e as más práticas podem afetar o valor de uma organização e impactar seus stakeholders. Para que um sistema de governança exerça influência positiva, é necessário, antes de tudo, compreender e ter conhecimento da qualidade dessas práticas, para que não componham um mero checklist, sem adoção efetiva.

Em livro publicado recentemente pelo IBGC com 28 especialistas convidados (Governança corporativa e criação de valor), aprofundamos a análise, ressaltando os benefícios advindos da aplicação efetiva da boa governança. De uma perspectiva integrada, observamos a importância da transparência e dos controles, bem como o impacto das ações dos administradores e das organizações sobre a sociedade.

A governança de qualidade se reflete em aumento do valor de mercado da empresa, em maior facilidade de captação de recursos e em redução do custo de capital. Além disso, influencia um conjunto de variáveis intangíveis, como os atos da gestão, a posição estratégica e competitiva da organização e até sua cultura e reputação organizacional.

A geração de valor é construída a partir de um ambiente de confiança, que tece uma perspectiva de longo prazo baseada na transparência, na equidade, na prestação de contas e na responsabilidade corporativa. Os benefícios de adotar esses princípios são normalmente mencionados quando se fala da relação da empresa com seus acionistas e investidores. Mas o resultado vai muito além, chegando aos colaboradores, à sociedade civil, ao poder público e aos demais stakeholders.

Quando alinhada com o cenário atual, no entanto, a geração de valor vem a ser somente aparente: é tratada como um tema oportunista, e não como o pilar da ética intrinsicamente ligado à identidade empresarial. A postura de executar a governança como checklist tem recebido resistência das partes interessadas, que passam a instigar a transparência e a prestação de contas na forma de fazer negócios, e a exigir maior empenho da companhia nos aspectos socioambientais.

O compromisso com as melhores práticas deve partir dos administradores — em especial, do conselho de administração, responsável por liderar os debates da visão estratégica. O colegiado tem papel de destaque como promotor de condutas saudáveis. Ele tem o poder de moldá-las por meio da discussão de temas como gestão de riscos, inovação, gestão de pessoas, sustentabilidade e compliance. Este último item assumiu relevância cada vez maior no cotidiano das empresas, por entrar no âmbito das discussões éticas e tratar de processos, normas legais, regulatórias, políticas e diretrizes, com o objetivo de evitar desvios de comportamento ou desconformidades.

Vale destacar, ainda, a ligação intrínseca entre o compliance e a criação e preservação de valor; sua implementação é creditada ao posicionamento preciso, refletido, do conselho de administração e da diretoria. A iniciativa deve ser permanente e partir da estrutura de governança da companhia. Os gestores devem estar cientes de que o emprego das boas práticas é um ato contínuo, cujos resultados influem na comunidade na qual a organização se insere e dela recebem influência. Portanto, as mudanças devem ser encaradas e analisadas, assim como seu impacto nos costumes sociais, com a finalidade de gerar valor de forma profunda e ao longo do tempo.



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Tags:  IBGC CAPITAL ABERTO mercado de capitais compliance geração de valor escândalos corporativos boas práticas Governança corporativa e criação de valor

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