Empreendedores contam as dores e delícias de ter um sócio investidor

Vou investir 80% do meu dinheiro no Brasil.” A frase de Caito Maia, presidente da rede de óculos e acessórios Chilli Beans, pode soar estranha em um momento conturbado na economia do País. Mas, acrescentando poucas palavras, o empresário faz a sentença ganhar sentido. “Aqui o meu risco é zero, e  …

Governança Corporativa / Seletas / Reportagem / Edição 36 / 24 de junho de 2016
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Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

“Vou investir 80% do meu dinheiro no Brasil.” A frase de Caito Maia, presidente da rede de óculos e acessórios Chilli Beans, pode soar estranha em um momento conturbado na economia do País. Mas, acrescentando poucas palavras, o empresário faz a sentença ganhar sentido. “Aqui o meu risco é zero, e a minha marca é super conhecida.” É por essas razões que, segundo ele, uma loja da marca consegue faturar R$ 100 mil por mês em cidades do porte de Parauabepas, município de cerca de 150 mil habitantes no interior do Pará, onde a economia está diretamente atrelada à extração e à exportação de minério de ferro. A Chilli Beans já tem três unidades na região. “Existem mais de 400 cidades como Parauapebas onde posso abrir lojas. A crise me fez descobrir o Brasil”, afirma o CEO.

A empresa, que surgiu com um único estande de óculos de sol em 1997, hoje tem aproximadamente 600 lojas, incluindo pontos de venda em Portugal, nos Estados Unidos, na Colômbia e em Angola. A entrada da Gávea Investimentos teve papel fundamental nessa expansão. Em 2012, a gestora de recursos do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga adquiriu 29,82% da Chilli Beans. Caito afirma que se sentia “sozinho atrás da mesa” e que, por isso, decidiu ir atrás de um sócio. “O funcionário vai sempre te obedecer. O sócio é quem senta na mesa e diz que não concorda”, justifica. Quatro anos após o começo da sociedade, o empresário descreve sua relação com a Gávea como sólida e equilibrada e diz que, por enquanto, não há perspectiva de separação.

Mas o clima nem sempre é de lua de mel. “Quando o investidor determina qual será a sua remuneração e diz que você não pode mais mexer no caixa da empresa, é difícil”, confessa Rodolfo Zabisky, CEO do MZ Group, consultoria de relações com investidores que, em 2009, teve cerca de 30% do seu capital adquirido pela gestora Jardim Botânico, numa operação estimada em R$ 15 milhões. Conciliar a intuição do empresário com o controle de riscos exigido pelos sócios capitalistas é outro desafio: “Se você, empreendedor, não se impuser, só vai ver números”, diz Maia.

Se de um lado a chegada de um sócio tira do fundador o status de dono, de outro contribui para o sucesso do negócio. “O investidor ajuda e, no saldo médio, você erra menos”, reconhece Zabisky.

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Para o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Linx, Dennis Herszkowicz, esse tipo de dilema é inerente ao processo de crescimento de uma companhia. A empresa de soluções em software de gestão para o varejo passou por todo esse ciclo: foi sócia do fundo americano General Atlantic e, após a saída do investidor, continuou sua expansão por meio de aquisições. “A consequência do erro quando você cresce é muito maior, daí a importância do crivo do investidor”, observa Herszkowicz.

O equilíbrio é a peça-chave do relacionamento, lembra Paulo Funchal, sócio da Grant Thornton. “Quando uma empresa compra outra, cria-se uma terceira cultura. O ideal é que se tenha o melhor das duas”, diz, destacando que paciência e humildade são fundamentais para conciliar interesses.

E se prestar contas a um sócio já tem os seus dilemas, imagine o que representa fazer uma oferta pública de ações e ganhar diversos acionistas de diferentes perfis e interesses. Esse é um dos motivos pelos quais a Chilli Beans avalia com cautela a possibilidade de um IPO. “Eu não quero abrir o capital por obrigação. Tem que ser saudável, fazer sentido e acontecer no momento certo. Só vamos fazer uma oferta de ações quando estivermos confiantes de que estamos oferecendo algo que podemos entregar”, ressalta Maia.

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