Valor fora da jaula

Por que os ativistas batalham por mudanças na gestão de empresas desprezadas

Gestão de Recursos/Prateleira/Edição 137 / 1 de janeiro de 2015
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deep-valueO universo dos fundos de hedge no mercado americano apresenta uma paleta de estratégias bastante diversificada: fundos macro, “momentum”, “event driven”, etc. Dessa pletora de alternativas, um grupo tem ganhado destaque por seu comportamento pouco comum na busca pelo santo graal do retorno superior à média do mercado, rotulado pela letra grega alfa. Tratam-se dos gestores que utilizam o chamado ativismo societário para produzir ganhos, por meio da valorização de empresas cujo preço de mercado encontra-se muito abaixo do valor intrínseco de seus ativos. Grosso modo, os gestores precisam pesquisar e encontrar essas situações anômalas, expô-las ao grande público e pressionar por mudanças na governança e na gestão das companhias que venham a liberar o valor enjaulado.

A origem do grupo tem suas raízes na obra consagrada de Benjamin Graham, O investidor inteligente, que recomendava a compra de ações negociadas em bolsa a um valor abaixo do de liquidação por boa margem de segurança. Desde que foi publicado, na década de 1930, o método de investimento batizado como “value investing” recebeu muita pesquisa e aprimoramento, resultando em sua forma contemporânea mais elaborada: o ativismo.

Em Deep value, o escritor e gestor de fundos Tobias Carlisle passeia pela história do investimento em valor, recheando o texto de evidências econométricas para apoiar suas conclusões. De forma simplificada, o autor postula que o retorno de uma carteira de ações de empresas com desempenho ruim e desprezadas pelos investidores resulta em retornos superiores aos de uma carteira com as companhias em voga, seguidas por todos. Em geral, isso se deve a dois efeitos combinados: os investidores extrapolam os bons resultados recentes e acabam sobrevalorizando as empresas da moda; e eles ignoram a força da gravidade dos mercados, a chamada reversão à média. Na prática, o autor revela o perfil da metodologia dos “contrarians”, em que a qualidade da companhia acaba sendo uma distração quando colocada lado a lado com sua precificação.

A evolução e a sofisticação dos mercados agem de modo a eliminar os ganhos superiores que se obtêm por meio de expedientes conhecidos, devido à facilidade de cópia pelos demais agentes. Esse movimento de seleção natural sugere que apenas a inovação na forma de atuar e o desenvolvimento de métodos e habilidades de difícil replicação podem sustentar retornos maiores que a média no longo prazo.

Recentemente, o New York Times falou de quatro titãs do ativismo no mercado americano: o lendário Carl Icahn, Daniel Loeb, David Einhorn e Bill Ackman, responsáveis por alguns processos recentes de grande proeminência. Traços comuns a todos eles são a pesquisa profunda sobre as empresas-alvo, a grande capacidade de comunicação, um plano bem definido para destravar valor e muita resiliência. Um efeito colateral interessante é que a atuação desse grupo beneficia todos os acionistas da companhia — não apenas eles mesmos — e, assim, dá uma carona coletiva em seus esforços individuais. Por fim, o grande axioma que emerge da estratégia de value investing é o seguinte: investidores não são recompensados por escolher os ganhadores; são recompensados por descobrir ativos mal precificados.

Deep value: why activists investors and other contrarians battle for control of losing corporations
Tobias Carlisle
Editora: Wiley Finance
240 páginas, 1ª edição, 2014


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Tags:  CAPITAL ABERTO mercado de capitais value investing ativismo societário fundos de hedge Benjamin Graham O investidor inteligente Deep value Tobias Carlisle investimento em valor teoria dos contrarians ativos mal precificados valor enjaulado Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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