Vale a pena investir em startups?

Investir em startups não era uma possibilidade real para a maioria das pessoas até muito pouco tempo atrás. Dois fatores determinantes, entretanto, mudaram radicalmente esse cenário: em primeiro lugar, a constante redução do custo de criação de uma startup e, em segundo, a facilidade de acesso às …

Gestão de Recursos/Seletas/Colunistas/Edição 28 / 29 de abril de 2016
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Frederico Rizzo*/ Ilustração: Julia Padula

Investir em startups não era uma possibilidade real para a maioria das pessoas até muito pouco tempo atrás. Dois fatores determinantes, entretanto, mudaram radicalmente esse cenário: em primeiro lugar, a constante redução do custo de criação de uma startup e, em segundo, a facilidade de acesso às melhores oportunidades do mercado.

Conforme já previa, em meados dos anos 1960, o então presidente da Intel, Gordon E. Moore, a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada 18 meses — e sem encarecer o produto. Soma-se a isso o fato de as tecnologias em nuvem terem reduzido drasticamente os gastos com hardwares e softwares, permitindo que empreendedores contratem soluções de ponta por algumas poucas dezenas de reais. Com tantas ferramentas à disposição, jovens que antes se viam obrigados a entrar na vida corporativa, pública ou privada, hoje têm uma terceira opção: criar sua própria empresa. E não estamos aqui falando da abertura de uma consultoria ou da criação de algum produto de nicho: trata-se de empresas com potencial para ser realmente grandes!

Estima-se que existam aproximadamente 5 mil investidores-anjo no Brasil — número que corresponde a menos de 1% dos investidores cadastrados na BM&FBovespa. E, tradicionalmente, as melhores oportunidades sempre ficaram restritas aos fundos de venture capital e aos raros anjos com muita experiência empreendedora e vasta rede de relacionamentos. Hoje, por outro lado, eventos de DemoDay e plataformas de crowdequity permitem que pessoas comuns tenham acesso, muitas vezes, aos mesmos negócios prospectados pelos fundos — na Broota, por exemplo, com aportes a partir de R$ 1 mil é possível participar de rodadas ao lado de investidores institucionais de peso, como Redpoint Ventures, e de outros renomados fundos nacionais e internacionais.

Em um país como o Brasil, que tem taxas de juros altamente atraentes na renda fixa e um mercado de startups incipiente, é ainda difícil estimar o retorno financeiro de um investidor-anjo. No longo prazo, contudo, estudos norte-americanos demonstram que os investimentos em startups superam os ganhos obtidos na bolsa. Nos últimos 20 anos, por exemplo, o U.S. Venture Capital Index obteve um retorno anualizado de 34%, em comparação aos 10% do S&P 500, índice formado pelas 500 principais ações dos Estados Unidos.

Pesquisas comprovam que vale muito a pena para as startups contar com o apoio de investidores-anjo — elas têm chance 14% maior de sobreviver e contratam 40% mais do que aquelas que não têm essa ajuda. Mas será que vale a pena para os investidores? O que as evidências mostram é que, independentemente da atratividade ou da maturidade do mercado, os investidores-anjo se baseiam em duas principais razões para apostar em startups:

Diversificação de portfólio.Quanto mais cedo for feito o aporte em uma empresa, maior o risco dessa aplicação e, consequentemente, maior o seu retorno potencial. Para 99% dos investidores que hoje não acessam essa classe de ativos, uma alocação entre 1% e 5% do capital para negócios inovadores pode proporcionar retornos significativos, sem grande exposição do patrimônio como um todo.

Envolvimento com iniciativas capazes de impactar positivamente a sociedade. Não se trata apenas de alcançar o maior retorno financeiro possível. Ao investir diretamente em pessoas brilhantes e insanamente dedicadas, o investidor-anjo quer fazer parte de organizações que estão transformando para melhor a vida das pessoas e o planeta.

Existem, logicamente, muitos riscos e desafios associados ao capital-semente: os empreendedores, na maioria das vezes, são inexperientes (e idiotas); a análise das oportunidades, quando benfeita, é trabalhosa; os resultados concentram-se em poucos ganhadores; entre outros aspectos. Por isso, para compensá-los, as seguintes premissas devem ser levadas em conta pelo investidor:

• investir em oportunidades pré-selecionadas;
• adotar uma estratégia de portfólio;
• reservar uma parte do capital para rodadas subsequentes;
• escolher mercados que compreende;
• apostar em startups a que possa agregar valor.

Para quem é novato nesse universo, a recomendação é simples: começar devagar, acompanhar outros investidores mais experientes e, lentamente, identificar se o investimento-anjo é o adequado ao próprio perfil.


*Frederico Rizzo (frederico.rizzo@broota.com.br) é fundador da plataforma de equity crowdfunding Broota


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