Um novo olhar

É preciso separar as subclasses de multimercados para uma leitura correta da categoria

Bimestral/Gestão de Recursos/Artigo/Edição 101 / 1 de janeiro de 2012
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Em boa parte de 2011, a performance dos fundos multimercados foi questionada. Qual o motivo da baixa rentabilidade? Ela perduraria nos próximos meses? Antes de detalhar essa resposta, gostaria de abrir um parêntese e apresentar brevemente quatro estilos de fundos multimercados: 1) os de “macrocarregamento”, que utilizam um cenário de médio ou longo prazo para montar posições até sua maturação; 2) os “macrotrading”, que usam um prazo bem mais curto; os long and short (L&S), apoiados em transações de arbitragem com ações; os de arbitragem propriamente dita que, além de ações, também podem operar arbitragem com juros ou montar estratégias de volatilidade; e os quantitativos, que funcionam à base de modelos matemáticos.

Para responder ao questionamento dos investidores, é importante salientar dois pontos. No primeiro semestre do ano passado, o mercado de renda fixa deixou de ser técnico para ser menos previsível, em razão da dificuldade enfrentada para assimilar o estilo do novo Banco Central, sob as rédeas de Alexandre Tombini. Essa mudança está longe de ser desprezível, se levarmos em conta o grau de especialização e o histórico de grande parte dos gestores de recursos brasileiros, que vivenciaram um ambiente de juros extremamente altos. Com a alteração de comportamento, apostas na queda das taxas prefixadas acabaram resultando em perdas, fazendo com que os gestores especializados em renda fixa migrassem parte de seus recursos para ativos em que seu índice de sucesso ainda é baixo, como bolsa e cesta de moedas. Até junho, a subclasse macrocarregamento foi a que mais sofreu. A situação foi revertida em agosto e setembro, graças à volta de oportunidades nos ativos de renda fixa.

Um segundo aspecto importante para compreender o desempenho dos fundos multimercados é o fato de que boa parte das subclasses necessita de um mercado com mais volatilidade para dar certo. É esse tipo de situação que enseja investimentos. No último ano, principalmente por causa dos estímulos monetários de bancos centrais do mundo inteiro e da ampla globalização dos mercados finaceiros, o nível de volatilidade real dos ativos brasileiros ficou escondido. De setembro de 2010 até o fim de julho de 2011, a volatilidade do Ibovespa, considerando–se intervalos de três meses, estava em um patamar de 16%. Após o impacto que o mercado sofreu no início de agosto, com o rebaixamento da classificação da nota de risco de crédito de títulos do Tesouro norte–americano, a volatilidade atingiu 30%. Notamos que só esse movimento, por exemplo, permitiu aos fundos de arbitragem voltar a registrar bons resultados. Por outro lado, a subclasse que mais se beneficiava da volatilidade baixa, a dos L&S (mais fundamentalistas), começou a entregar parte do ganho obtido ao longo do ano.

Por isso, apesar de a classe multimercado como um todo até o fim de novembro estar levemente abaixo do CDI, podemos analisar 2011 de outra forma. Nos primeiros sete meses, merecem destaque positivo as subclasses trading e L&S e, nos últimos quatro meses, saíram–se bem os fundos carregamento e de arbitragem. Assim, sugiro aos investidores fazerem esse exercício daqui para frente: olhar para os grupos individualmente. É muito mais fácil criticar a performance da classe multimercado analisando apenas uma parte. Porém, essa observação simplista acaba, muitas vezes, penalizando a categoria como um todo e impedindo um melhor entendimento da realidade.


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