Seleção cuidadosa

Carlos Eduardo Rocha

Gestão de Recursos/Relevo/Edição 132 / 1 de agosto de 2014
Por 


Responsável pela gestão de recursos no Brasil Plural, Carlos Eduardo Rocha se orgulha do trabalho de análise feito por sua equipe. Foi ela que permitiu à gestora do grupo escapar de roubadas e fazer as melhores aplicações num momento de extrema volatilidade do mercado acionário. Seu fundo de ações mais antigo, de 2011, registrou uma das melhores rentabilidades entre os veículos de renda variável no primeiro semestre: valorizou 14,4%, ou 11,1% mais do que o Ibovespa. “Enquanto a maioria das pessoas se afastava do risco, nós, de forma responsável, tomamos mais risco, procurando selecionar os melhores ativos”, afirma. “O Brasil está numa fase de transição, o que é muito rico para quem busca retornos alfa e distorções relativas. Elas estão abundantes agora.” Leia os melhores trechos da sua entrevista à coluna Relevo.

Setores prediletos
“O nosso segmento preferido é o financeiro, principalmente o não bancário, que engloba os nichos de seguros e cartão de crédito. No segmento de seguros, gostamos principalmente da BB Seguridade, em razão da demanda reprimida pelo produto nas agências do Banco do Brasil. No setor de cartões de crédito, nossa predileção é pela Cielo, cuja margem é espetacular e o negócio, pouco vulnerável à crise. Também gostamos do setor de educação. Nos próximos cinco anos, esse segmento deve apresentar crescimento acima de 20%. A Kroton, na qual investimos, promete registrar taxas superiores a essa.”

Setores preteridos
“Temos nos mantido longe dos setores de mineração e siderurgia, devido à desaceleração da China. Também temos evitado o segmento de vestuário, por acreditarmos que o consumo discricionário chegou à exaustão; por outro lado, continuamos apostando em empresas como Pão de Açúcar e Lojas Americanas. Outros setores de que temos mantido distância são o de construção e o industrial. O primeiro possui um ciclo longo de investimento, e suas empresas são muito alavancadas; o segundo perdeu competitividade e sofre o risco de racionamento de energia.”

Eleições
“Trabalhamos com o cenário de que a Dilma é favorita. Independentemente de quem vença as eleições, contudo, essa pessoa precisará fazer ajustes na economia em 2015 — inclusive, aumentando impostos. O importante é que o processo seja feito sem choques. A oposição já tem dado sinais nesse sentido, com o Eduardo Campos defendendo metas de inflação mais baixas e o Aécio Neves acenando para uma política fiscal mais robusta. Vivemos um momento muito rico, no qual o mercado não está simplesmente reagindo às intenções do comando da economia, mas mostrando como quer que o governo se comporte a partir do próximo ano.”

Pacote de incentivos
“Estímulos ao mercado de capitais são positivos, porém o governo deveria atuar mais no macro. Um esforço de melhora contínua nas contas brasileiras, como a de superávit fiscal, beneficiaria o desenvolvimento do mercado no longo prazo. É o tipo de sinalização que falta. Isso, sim, traria novas aberturas de capital e ofertas de ações.”

Empresas menores
“Em períodos de economia sem crescimento, é muito delicado investir em ações ilíquidas. Nós adquirimos papéis de segunda ou terceira linha, mas com uma disciplina muito grande de fazer lotes menores. Até porque, em períodos de crise, o desconto por liquidez costuma aumentar. Por isso, o ideal é a pessoa física que quiser comprar essas ações fazê-lo via fundos. No Brasil Plural, temos interesse em abrir fundos de ações para o mercado de acesso”.

Uma proposta
“A ausência de come-cotas para fundos de renda variável [o governo deu esse benefício para os ETFs de renda fixa] incentivaria o mercado acionário. Acho que isso ainda vai ser feito um dia. Ao conceder a vantagem, o governo estimularia o investidor a alongar a sua aplicação e a tomar risco. Ajudaria a desenvolver o mercado de capitais de tal forma que o governo recolheria até mais imposto.”

Foto: Leo Pinheiro/Valor/Folhapress


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