Preço justo: uma pedra no caminho dos fundos de ativos podres

A elevada temperatura da crise despertou um segmento que estava praticamente adormecido nos anos de […]

Edição 1 / Gestão de Recursos / Seletas / Reportagem / 29 de outubro de 2015
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Ilustração: Grau180.com

A elevada temperatura da crise despertou um segmento que estava praticamente adormecido nos anos de prosperidade econômica: os fundos de investimentos voltados aos chamados “distressed assets”. A conjuntura é perfeita: retração econômica, crédito escasso, grandes conglomerados à beira da falência. A escalada da inadimplência pressiona bancos a disponibilizarem suas carteiras de créditos não performados — ou podres, como são mais conhecidos. As captações são milionárias, e o principal destino dos recursos são créditos inadimplentes e corporativos prestes a vencer, bem como precatórios federais. “O Brasil como um todo está imerso em um cenário de stress profundo”, avalia Giuliano Colombo, advogado sócio do escritório Pinheiro Neto.

Sócio da Canvas Capital, ex-Peninsula, Rafael Fritsch tem R$ 770 milhões alocados em três fundos distressed e pretende captar mais R$ 500 milhões em um quarto portfólio do gênero. Seu desafio é grande. “O primeiro problema é precificar. É muito difícil fazer o valuation de uma empresa quando o próprio país está em distressed”, afirma. A dificuldade acaba limitando a amplitude do investimento, apesar da variedade de opções. “A cada 100 operações que avaliamos, gostamos de dez, mas acabamos investindo só em uma”, diz Rodrigo Carneiro, sócio da Opus Investimentos, que há dois anos e meio mantém um fundo de investimento em carteiras de crédito não performados. Este ano, a Opus recebeu um novo aporte dos cotistas, de cerca de R$ 50 milhões.

Os riscos também são altos para quem pretende comprar um ativo em recuperação judicial. Até mesmo os mais experientes, como Luis De Lucio, sócio da Alvarez & Marsal na América Latina, recomendam cautela redobrada. “Eu vejo como uma loucura comprar equity diretamente em empresas neste momento. O mercado tem muito mais dúvidas do que um histórico de resultados”, afirma. A Lei de Falências e Recuperações Judiciais completou dez anos neste 2015, mas ainda são poucos os exemplos bem-sucedidos e muitas as críticas ao ambiente de insegurança jurídica que a legislação não foi capaz de debelar. Poucas varas especializadas no assunto e diferentes interpretações sobre a lei ainda inibem iniciativas de investimento em distressed. “O mercado amadureceu pouco nos últimos anos por causa desses gargalos. Nossa lei de falências precisa evoluir muito”, diz Luiz Galeazzi, sócio da consultoria Galeazzi & Associados.

“Talvez eu seja uma exceção, mas vejo bom senso nos juízes. A dificuldade é com os credores”, rebate Rodrigo Monteiro, diretor financeiro do Grupo Galvão. A empreiteira, alvo da operação Lava Jato, protocolou em junho um pedido de recuperação judicial em que propõe a venda de um rol de ativos para quitar suas dívidas. Mas se os riscos de investir no segmento de distressed assets são tão altos, por que a mobilização dos fundos de investimento em torno desse nicho? A Jive Investments, que captou R$ 500 milhões para a aquisição de créditos em atraso e empresas em situação problemática, responde sem pensar duas vezes: “Somos otimistas e acreditamos que o valor desses ativos vai ser recuperado”, diz Mateus Tessler, sócio da gestora. Os cotistas torcem para eles estarem certos.

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