Os novos magnatas

O mercado de private equity contado por meio das experiências de seus protagonistas

Gestão de Recursos/Prateleira/Edição 113 / 1 de janeiro de 2013
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O segmento de private equity tem suas origens na década de 1980, quando William E. Simon investiu um milhão de dólares em uma alquebrada Gibson Greetings para ver seu dinheiro multiplicar por 200 vezes em alguns anos. Desde então, o mantra desse mercado até a virada do século era a utilização de dívida para adquirir o controle acionário em empresas com baixo desempenho. A ideia seria destravar o potencial dessas companhias, por meio da governança eficiente e da tomada de decisões com velocidade. Ao concentrar a propriedade das ações, ressurge a figura mítica do “olho do dono”, cujos interesses estão alinhados com o objetivo de criar valor.

No livro The New Tycoons, o autor, Jason Kelly, jornalista da Bloomberg, apresenta, num tom investigativo, a evolução do private equity por meio de dois fios condutores: o ponto de vista dos protagonistas desse mercado e o processo utilizado por eles para multiplicar seu capital. As histórias dos fundadores das principais empresas americanas se confundem com as das próprias companhias, em um grau de personificação que lança dúvidas sobre sua perenização. Blackstone, KKR, Carlyle, TPG, Bain Capital, todos nomes famosos e com o maior volume de ativos sob gestão, são apresentados e contrastados em suas culturas e estratégias. Ao mesmo tempo, o autor nos conduz por todas as etapas do private equity: levantamento de capital, busca de oportunidades de investimento, negociação, investimento, supervisão, gestão do portfólio de empresas investidas e, finalmente, a venda da participação.

Uma pergunta importante que o livro deliberadamente apenas tangencia é se o investimento em private equity apresenta retornos superiores aos de aplicações em empresas abertas. Um dos motivos para a falta de uma resposta é a relativa escassez de pesquisas sobre o tema. Uma vez que a informação sobre os investimentos é privada, os fundos não têm qualquer obrigação de dividi-la. A despeito dessa dificuldade, é possível encontrar alguns artigos acadêmicos sobre o tema, e algumas evidências emergem. Embora a média dos retornos agregados não seja definitiva em favor do private equity, um olhar mais próximo demonstra a persistência dos ganhos da fatia de 25% dos gestores dessa indústria que oferecem os melhores retornos a seus investidores.

Ao final do livro, o autor se confessa surpreso pela onipresença do private equity ao caminhar por Nova York. Sejam empresas (Toys R Us, Dunkin Donuts, Outback), sejam marcos da cidade erguidos com doações (uma ala da biblioteca municipal foi construída com US$ 100 milhões concedidos por Stephen Schwarzman, fundador do Blackstone), as impressões digitais desse segmento estão por toda parte. Sem dúvida, os investidores, tipicamente fundos de pensão, parecem estar felizes com os retornos, pois têm comprometido parcelas crescentes de seu capital com essa estratégia. O mesmo pode ser dito dos gestores, que conquistaram patrimônios na casa dos bilhões de dólares. Mas, existe algum benefício para a sociedade? A questão é polêmica. O economista Joseph Schumpeter diria que private equity é motor da destruição criativa, alocando recursos escassos da sociedade onde eles podem trazer maior retorno.


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