No comando do cofre familiar

A emergência do family office como veículo de gestão patrimonial dos ultrarricos

Gestão de Recursos/Prateleira/Edição 139 / 1 de março de 2015
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The single family officeAno passado, o economista francês Thomas Piketty escancarou o desconforto crescente da sociedade com os efeitos negativos da concentração de riqueza e da consequente desigualdade social. Ele chamou a atenção para a realidade inescapável da aceleração no número de famílias ultrarricas no mundo, como um efeito colateral dessa convergência de capital em poucas mãos, especialmente nos chamados mercados emergentes.

Num passado não muito distante, o patrimônio dos multimilionários era cuidado pelas casas bancárias suíças, cercadas por uma aura de discrição e mistério. Mas o crescente refinamento dos donos do capital, aliado à revolução tecnológica e à consciência maior dos custos para gerir a riqueza, conduziu à proliferação de uma estrutura alternativa de gestão de patrimônio das famílias abastadas. Trata-se do “family office” (FO).

Na realidade, essa é apenas a versão moderna da estrutura que várias famílias tradicionais muito ricas já empregavam desde o século 19 para preservar seu patrimônio, tipicamente sob a alcunha de “fundações”. Em sua forma atual, os family offices prestam serviços com escopo muito maior do que a simples gestão de patrimônio, entre eles o de agente de viagem e o de concierge.

Em The single family office, Richard Wilson expõe de forma clara e estruturada os processos de criação e operação dessas entidades jurídicas. Além de ser responsável pela gestão do escritório que administra os bens de sua família, Richard estabeleceu uma consultoria para a criação e gestão de outros similares. O contato permitiu a acumulação de relevante experiência com famílias de ultrarricos, cujo depoimento ilustra várias passagens do livro.

Uma vez descontada a propaganda velada dos serviços oferecidos pela empresa de Wilson, pode-se afirmar que o livro constitui uma referência relevante para quem quer entender os FOs e se aprofundar neles. Na primeira parte, o autor apresenta esse mundo e fala dos principais blocos que o constituem: pessoas, processos e governança. A segunda cobre o passo a passo para criar um escritório de gestão familiar, e a terceira discorre sobre as diferentes classes de ativos que tipicamente compõem o patrimônio das famílias e o processo de gestão de seu portfólio. Essa seção tem como destaque positivo a importância dedicada aos investimentos em empresas, seja de forma direta, seja indireta (fundos de private equity). Por fim, a quarta e derradeira seção da obra comenta superficialmente as melhores práticas e os modelos consagrados de operação.

O family office é o mais novo integrante do ecossistema de investidores, onde se junta a investidores institucionais (seguradoras e fundos de investimento) e a fundos de pensão, soberanos e de hedge. Hoje, estima-se que existam mais de 7 mil escritórios do gênero formalizados ao redor do mundo, número que não para de crescer. Devido a sua crescente importância, é importante compreender a motivação desse novo participante do mercado e suas diferenças com relação a outras classes de investidores. A emergência de um time de gestores que tem por objetivo a preservação do patrimônio para as gerações futuras é positiva para a reciclagem da riqueza de um país, devido ao horizonte de longo prazo desses investidores. Vida longa ao family office!

The single family office: creating, operating & managing investments of a single family office – Richard C. Wilson – Family Offices Group Association – 291 páginas, 1ª edição, 2015


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Tags:  CAPITAL ABERTO mercado de capitais Thomas Piketty The single family office Richard Wilson multimilionários escritório de gestão familiar ultrarricos Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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