Negócios disruptivos despertam atenção de gestores de recursos

Há menos de duas semanas, o polêmico aplicativo de transporte compartilhado Uber alçou, literalmente, novos voos no Brasil. Passou a oferecer, em caráter experimental, viagens de helicóptero ligando hotéis de São Paulo a cinco helipontos da cidade e a quatro aeroportos da região metropolitana e de …

Gestão de Recursos/Seletas/Reportagem/Edição 36 / 24 de junho de 2016
Por 


Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

Há menos de duas semanas, o polêmico aplicativo de transporte compartilhado Uber alçou, literalmente, novos voos no Brasil. Passou a oferecer, em caráter experimental, viagens de helicóptero ligando hotéis de São Paulo a cinco helipontos da cidade e a quatro aeroportos da região metropolitana e de Campinas (Guarulhos, Congonhas, Campo de Marte e Viracopos). Assim que a novidade foi lançada, era possível encontrar um assento no UberCOPTER por R$ 66. Assim como no caso da frota de carros disponível pelo aplicativo, nenhum dos helicópteros a serviço do Uber pertence de fato à empresa — para oferecer o serviço, fez uma parceria com a Airbus.

Estima-se que o valor de mercado do Uber seja hoje de US$ 62,5 bilhões. E esse número deve continuar a crescer, graças aos aportes de recursos que a empresa vem recebendo. O mais recente foi feito por um fundo da Arábia Saudita, que embarcou na empresa com exorbitantes US$ 3,5 bilhões. Com tantas cifras ao seu redor, não à toa o Uber virou um emblema mundial dos chamados negócios disruptivos, dos quais também fazem parte empresas celebradas como AirBnB, de aluguel de imóveis para temporada, e Whatsapp, de mensagens instantâneas de texto e voz. São nomes que têm sacudido pelos ombros as empresas da economia tradicional, obrigadas a repensar seus modelos de negócio se quiserem continuar existindo, e também despertado a atenção dos investidores.

GDGestao_S36_Pt2

“É obrigação do gestor de recursos entender se as companhias investidas estão negligenciando as ameaças dos negócios disruptivos ou acompanhando suas tendências”, ressalta Fabio Alperowitch, sócio Fama Investimentos. Ele dá o exemplo da CVC Brasil, que faz parte do portfólio da gestora. Em 2015, a empresa — que tinha como modelo de negócio a venda de pacotes turísticos em lojas físicas — comprou, por R$ 80 milhões, a B2W Viagens, dona do website de vendas de passagens e reservas Submarino Viagens. “Esse tipo de movimento mostra que existem companhias dispostas a se defender em vez de esperar que a fórmula antiga de fazer negócios continue dando certo”, observa Alperowitch. “A certeza de que o vencedor do passado vai continuar se dando bem é cada vez mais questionável”, sentencia Fernando Exel, presidente da Economatica e patrocinador do primeiro encontro do Grupo de Discussão Gestão de Recursos, realizado pela CAPITAL ABERTO em 7 de junho.

Essa postura é importante, dado o novo perfil dos clientes. “O desafio para os agentes atuais é lidar com o empoderamento do consumidor”, afirma Rodolfo Eschenbach, líder na América Latina de práticas digitais da Accenture, empresa com foco em inovação e que investe em negócios disruptivos. O movimento é tão forte que até mesmo os bancos têm tentado encontrar formas de acompanhar essa tendência. “Mas a verdade é que é muito difícil um banco conseguir pensar com o jeito de uma fintech”, observa Sandro Heiss, fundador e CEO da Geru, plataforma de empréstimos on-line (peer-to-peer lending).

O cenário desafia os gestores a sair da zona de conforto e a entender melhor os termos da disrupção e os impactos em seus investimentos. “Quando precisamos nos debruçar sobre algum tema relacionado à tecnologia blockchain ou bitcoin, por exemplo, nós sempre buscamos inteligência de fora”, diz Pedro Damasceno, sócio da Dynamo. E essa é uma preocupação que não move apenas as gestoras de recursos fundamentalistas. “Os gestores quantitativos também têm investido muito em pesquisa nos últimos anos. A mudança na forma de gestão foi impressionante”, observa Pedro Barbosa, da STK Capital.

GDGestao_S36_Pt3




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Gestão de Recursos tecnologia Airbnb Uber Fintech Negócios disruptivos tendências tecnológicas economia disruptiva Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Repatriação de ativos
Próxima matéria
Plataforma do herói de The Flash Boys recebe aval para virar bolsa de valores



1 comentário

Aug 12, 2016

Interessante que a Uber possui valor de mercado maior grandes companhias nacionais e não possui nenhum ativo. Uma grande disruptura não apenas nos costumes e conceitos, mas nas cifras. Belo post.



Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Repatriação de ativos
Sancionada no início deste ano pela presidente Dilma Rousseff, a Lei Federal nº 13.254 criou o Regime Especial de Regularização...