Hora de se reinventar

Assets precisarão ter estruturas mais enxutas para proporcionar bons retornos aos clientes

Gestão de Recursos/Artigo/Edição 116 / 1 de abril de 2013
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Não é exagero dizer que os gestores de recursos que atuam hoje no Brasil têm à frente um ambiente econômico completamente diferente do que vivenciaram nos últimos anos. O vigor do mercado de ações registrado em 2007 arrefeceu. As altas taxas de juros, que beneficiaram os investimentos em renda fixa entre 2008 e 2009, também. O volume de investimentos externos aportados no País perdeu o ritmo vertiginoso, embora ainda caminhe com vigor. Esses fatores favoreciam a rentabilidade, mas, agora, perderam o brilho. Fatores novos, portanto, desafiam os gestores na hora de decidir como entregar resultados.

A taxa Selic, após uma longa trajetória de queda, estacionou em 7,25% — e as opiniões se dividem entre uma possível manutenção desse patamar ou uma ligeira alta. A inflação, por sua vez, fechou o ano de 2012 em 5,84% — abaixo do nível de 2011, contudo em ritmo de galope. Nesse cenário, dois desafios tornam-se ainda mais urgentes para os gestores de fundos: aumentar a rentabilidade num momento de juro baixo; e reduzir as taxas de administração para que, ao consumir a rentabilidade real, elas não levem os investidores a preferir a poupança.

Em janeiro deste ano, o saldo da poupança ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$ 500 bilhões. O crescimento alcança 18,7% sobre o mesmo período do ano passado e 31,5% sobre janeiro de 2011, de acordo com dados do Banco Central. Esses números indicam, de certo modo, o início de um aumento do número de poupadores no Brasil. Porém, tais recursos não devem sair do lugar caso os potenciais investidores só encontrem fundos que rendam o mesmo ou pouco mais do que a poupança.

É preciso atraí-los. Para isso, o controle de custos se torna uma prioridade e um desafio complexo. O objetivo dos gestores de recursos, entretanto, deve ser a busca não só de despesas menores, como de estruturas mais eficientes, que façam melhor com menos. Nesse sentido, as estruturas devem ser enxutas, para permitir uma redução nas taxas de administração. E, ao mesmo tempo, suficientemente capazes de acompanhar o mercado na maior velocidade possível, fornecendo informações para a busca de bons negócios num momento em que eles não são tão evidentes.

Da mesma forma, o gestor deverá se adequar ao aumento das pressões regulatórias. Os fundos, por ora, não são sujeitos às normas contábeis internacionais, todavia a sua possível implantação também significaria custos para elaboração do projeto, mão de obra e sistemas, num momento em que é preciso controlá-los.

Alcançar essa eficiência será a base de outro desafio, tão relevante quanto: aumentar a rentabilidade. Cercado de uma estrutura eficiente, dotada de inteligência competitiva e, ao mesmo tempo, enxuta, o gestor de recursos terá mais condições de perseguir grandes retornos. Nessa busca dos caminhos certos para os novos tempos, há gestores adquirindo ativos de renda fixa e os mantendo na carteira por mais tempo. Outros já trocaram as blue chips por papéis com dividendos maiores, volume de negociação razoável ou preço estável. A batalha é dura, e soluções óbvias não existem. Sairão com vantagem os gestores que conseguirem surpreender o investidor com solidez.


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