Gestores de ações de longo prazo optam pelo conservadorismo para atravessar a crise

Com a visão pouco nítida sobre os rumos da economia e da política brasileira, a maioria dos gestores de fundos de ações de longo prazo tem optado pelo conservadorismo. A busca por papéis de companhias pouco endividadas (que tenham relação dívida líquida/ebitda inferior a 3) e com boa gestão reflete …

Gestão de Recursos/Seletas/Reportagem/Edição 28 / 29 de abril de 2016
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Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

Com a visão pouco nítida sobre os rumos da economia e da política brasileira, a maioria dos gestores de fundos de ações de longo prazo tem optado pelo conservadorismo. A busca por papéis de companhias pouco endividadas (que tenham relação dívida líquida/ebitda inferior a 3) e com boa gestão reflete essa postura. “Essa é a única maneira de trabalhar no longo prazo”, afirma Frederico Tralli, gestor de renda variável do BNP Paribas Asset Management. “Talvez essas empresas saiam da crise até mais fortes, pois a concorrência vai morrendo no caminho.”

A condição para as companhias resilientes manterem a boa performance é que nenhum episódio catastrófico aconteça. Isso ocorreria, por exemplo, se o governo declarasse um default da dívida interna — um calote, obviamente, faria as cotações despencarem na bolsa. Contudo, no cenário considerado mais provável (e já suficientemente ruim), o BNP Paribas projeta que a relação entre a dívida bruta e o PIB brasileiro atingirá 80% em 2017 e se estabilizará no ano seguinte. A instituição também prevê retração da economia de 4,5% neste ano e de 1,5% em 2017.

O fundo BNP Paribas Action concentra seus investimentos em 15 empresas, em cujo desempenho positivo a equipe acredita de forma convicta. Com base numa análise fundamentalista, em março Tralli tomou algumas decisões. Uma delas foi tirar do portfólio ações de shopping centers e de empresas de consumo, por causa da recente retração do varejo. O gestor também resolveu adquirir papéis de companhias do setor elétrico (favorecidas por geração de caixa previsível e receita atrelada à inflação) e elevar a exposição da carteira ao setor financeiro (diante da maior probabilidade de mudança de governo). “Se o ciclo econômico se tornar mais benéfico, os bancos terão condições de crescer com baixa competição”, afirma Tralli.

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Sócio da Victoire Brasil Investimentos, André Caminada conta que, entre o fim de 2015 e início deste ano, o fundo alterou bastante a carteira. Desfez-se, por exemplo, da posição em uma empresa considerada bem gerida, o Pão de Açúcar. “As companhias que surfaram a onda de expansão do crédito para as pessoas físicas e jurídicas não vão sustentar o crescimento”, acrescenta Bruno Wittmaack, analista da Victoire. Segundo ele, embora o negócio de supermercados ofereça proteção contra a inflação, o ramo de bens duráveis deve padecer com a crise econômica — e a Via Varejo, que atua nesse segmento por meio do Ponto Frio e das Casas Bahia, é um dos negócios do grupo, observa.

Já na Fator Administração de Recursos (FAR), a estratégia tem sido misturar conservadorismo e ousadia. O fundo Fator Sinergia vendeu algumas ações defensivas (do setor de papel e celulose) e comprou papéis de empresas de baixa capitalização de mercado (small caps), que devem ter desempenho melhor no caso de uma retomada da economia. Entre as ações adquiridas estão as de Hypermarcas, Iochpe, Mahle, Totvs, Tupy e Weg. “Ficamos no meio do caminho, buscando capturar uma melhora do mercado, mas ainda defendendo a carteira com ações de empresas exportadoras”, afirma Daniel Utsch, gestor de renda variável da FAR.

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