Empresas investem em aquisição de inovação

O conceito de corporate venture capital tem raízes no venture capital, em que investidores de risco aplicam recursos em empresas nascentes com a intenção de obter lucro futuro. Nesta nova modalidade, são empresas e organizações que assumem o lugar do investidor. Elas têm formas de investimento e …

Gestão de Recursos/Artigos/Seletas/Corporate Venture/Edição 55 / 4 de novembro de 2016
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Rodrigo Cantusio Segurado*

Rodrigo Cantusio Segurado*

O conceito de corporate venture capital tem raízes no venture capital, em que investidores de risco aplicam recursos em empresas nascentes com a intenção de obter lucro futuro. Nesta nova modalidade, são empresas e organizações que assumem o lugar do investidor. Elas têm formas de investimento e metas bastante distintos, a ponto de apresentarem performance três vezes superior em receita, rentabilidade e retorno — por estarem estrategicamente comprometidas com o desenvolvimento das empresas investidas em vez de ter objetivos apenas especulativos e financeiros.

Considerando que a transformação digital foi a razão do desaparecimento de metade das empresas listadas na publicação Fortune 500 de 2000 até hoje, empresas no mundo todo e, mais recentemente, no Brasil, passaram a adotar o corporate venture capital para acelerar os próprios processos de inovação corporativa. Assim, as empresas investem diretamente em startups, aceleram projetos internos ou ajudam grandes corporações a entrar em novos mercados, reorganizar processos, revitalizar a cultura organizacional e transformar o modelo de negócio na velocidade que o presente e o futuro exigem, incorporando inovações transformadoras ou evolutivas.

A força do empreendedorismo, combinada à tecnologia, culminou no fenômeno global das startups, que coloca em xeque a capacidade das empresas de depender apenas de seus colaboradores para pensar, desenhar e construir o futuro. Pode-se concluir que não é mais possível inovar de maneira isolada, não importa quão forte e grande seja uma empresa. Hoje os riscos e custos de se inovar sozinho são muito altos. Em algum momento, o modelo de negócio pode estar em risco ou numerosas oportunidades para fazê-lo crescer e melhorar podem ser desperdiçadas.

A combinação de cultura de inovação (culture-innovation), inovação interna (intra-innovation) e aberta (open-innovation) compõe o tripé ideal de um programa corporativo de inovação. O corporate venture capital é um entre os vários métodos e técnicas do pilar da inovação aberta, dedicado à viabilização de investimentos corporativos em startups. A estratégia empresarial exige definição dos objetivos, por tipo de inovação, e ativação sincronizada dessas metas, a fim de se colocar o programa na agenda corporativa.

Se entendermos inovação como meio e não como um fim, como uma ponte para o futuro, surgem algumas questões fundamentais: para onde a ponte que as corporações estão construindo as levará? Quais tijolos serão necessários para se concluir a ponte? E se entendermos as startups como tijolos da construção dessa ponte para o futuro, quais delas se encaixam no projeto, no ecossistema da corporação, para assegurar a sua longevidade?

O desafio seguinte é a criação da estratégia para captar, incubar, acelerar e incorporar startups. A qualidade e quantidade das startups estão diretamente relacionadas com o canal escolhido pelas corporações para acessar o ecossistema de inovação aberta. Seja no varejo, no atacado, ou por meio de acesso exclusivo, mapeamos ainda seis distintas modalidades de captura de startups em desenvolvimento no Brasil, a saber: artesanal, taylor made/low profile, aglutinação, ondas, cadeia e rede, que variam em complexidade e efetividade.

O Brasil (com destaque para a cidade de São Paulo), figura entre cinco maiores ecossistemas de startups fora dos Estados Unidos e está no top 20 mundial. Falando em regiões, Tel Aviv, em Israel, ultrapassou o americano Silicon Valley — são as duas mais eloquentes localidades para startups de tecnologia e financiamento de capital de risco per capita do planeta.

A inovação é pré-requisito para a sobrevivência das empresas, tema número um da agenda dos principais CEOs mundiais. Portanto, sugerimos que seja desenvolvida de forma colaborativa, a partir de um ecossistema empresarial aberto, voltado às soluções dos problemas sociais, econômicos e coletivos.


*Rodrigo Cantusio Segurado (rodrigo.segurado@cirrusconsulting.com.br) é sócio fundador e CEO da Cirrus Management Consulting


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