“É preciso se diferenciar”

Fernando Borges

Gestão de Recursos/Relevo/Edição 130 / 1 de junho de 2014
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Desde abril de 2014, um nome novo está à frente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCap). Responsável pelas operações do Carlyle no Brasil e na América do Sul, Fernando Borges presidirá a associação até 2016. Diferentemente de seu antecessor, pilotará a ABVCap em um momento bem menos favorável ao Brasil. Nesse cenário, uma coisa é certa para Borges: quem quiser captar vai ter que mostrar resultado. “O investidor está muito mais seletivo”. A seguir, confira os principais trechos da entrevista.

Foco nos pequenos
“O Brasil pratica ainda o ‘oldfashioned private equity’ — aquele que há muitos anos se fazia nos Estados Unidos. É um private equity que lida com empresas familiares e voltado ao growth capital [compra de participações minoritárias em companhias com alto potencial de crescimento]. Já fizemos avanços importantes, mas precisamos de incentivos para desenvolver os elos da cadeia que têm mais dificuldades, como o investimento anjo, o capital semente e o venture capital.”

Venture capital
“Hoje é muito difícil você convencer alguém a investir em venture capital, devido à alta taxa de mortalidade das empresas em que esse tipo de fundo investe. No Brasil, ter no portfólio uma companhia que quebrou é um pesadelo para o gestor, devido aos riscos trabalhistas, fiscais e de desconsideração da personalidade jurídica. Se você é um gestor de capital de longo prazo e quer investir em venture capital, a verdade é que é melhor ter sua firma em Miami do que aqui. Nos Estados Unidos, as companhias de inovação encontram mais facilidades para se desenvolver. Dependendo do número de empregos que criam, pagam menos impostos e encargos trabalhistas, por exemplo.”

Relação com o investidor
“A relação entre o gestor e o investidor precisa ser aprimorada. É justo que o cotista imponha as suas condições, já que está colocando dinheiro no fundo, mas, com diálogo, certas práticas de governança, como o modelo de remuneração, poderiam ser flexibilizadas.”

Captação
“Por ter uma visão de longo prazo, o investidor de private equity não está tão cético com o Brasil. Tanto que há fundos levantando recursos. A questão é que, agora, o investidor está mais seletivo, e isso deve dificultar as captações. Até porque, desta vez, não temos o cenário macroeconômico favorável de dois anos atrás. Com isso, o gestor vai ter que se diferenciar muito na performance, no time que possui, no portfólio e na estratégia.”

Preços
“Eu não vejo um cenário de barganha. Os preços das companhias podem ter sofrido algum ajuste, mas estão longe de estarem baratos. As empresas brasileiras são menos alavancadas que a média e não estão desesperadas para captar; logo, não há razão para elas aceitarem qualquer valor em uma oferta de compra. Além disso, não é porque o PIB subiu 2% que as companhias estão crescendo nesse mesmo ritmo. Ao meu ver, os preços estão justos.”

Desinvestimento
“Esse é um grande desafio, porque os fundos ainda dependem muito da bolsa. Um estudo da ABVCap mostra que, em 2013, 70% das saídas foram pelo pregão. O problema é que, enquanto lá fora ocorre um IPO por dia, no Brasil contamos nos dedos o número de ofertas por ano. Além disso, com as incertezas sobre os cenários econômico e político, a venda de participações para investidores estratégicos diminuiu.”

Competição na América Latina
“O Brasil compete com México, Chile, Colômbia e Peru. Os três últimos, apesar de possuírem economias atrativas, são mercados menores. O México é maior, mas lá os empresários não são abertos a conversar com os gestores como aqui. Por isso, para o private equity, o Brasil guarda vantagens importantes: há escala, é possível fazer transações grandes e comprar controle, algo impensável em alguns emergentes.”

Setores promissores
“O setor de consumo desacelerou, mas ainda há companhias atraentes nesse nicho, como as de saúde e educação. É possível também encontrar ativos interessantes no setor de business services, focado em tornar as empresas melhores e mais eficientes. Outro segmento rico em oportunidades é o de infraestrutura. Mas para torná-lo mais atrativo para os fundos seria necessário aumentar o retorno das concessões.”

Foto: Divulgação




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