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Cruzar fronteiras

A diversificação de investimentos é uma estratégia conhecida de redução de risco, que se torna ainda mais eficaz no mercado internacional. Isso acontece porque ativos distribuídos em economias diferentes são muito menos correlacionados do que aqueles reunidos num país só. Além disso, é possível calibrar melhor as características gerais da carteira e compensar as oscilações das taxas de câmbio, que exercem grande influência sobre a rentabilidade como um todo.

Do ponto de vista do investidor brasileiro, o interesse recente por aplicações externas completa um ciclo histórico. Nos idos da década de 1980, com a hiperinflação e a sucessão de planos econômicos, era comum que muitos aplicadores mantivessem uma parcela expressiva de suas poupanças nas chamadas “moedas fortes”. A segurança e a rentabilidade assegurada pela valorização constante do dólar eram grandes atrativos. Ainda vemos essas características em países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai, por exemplo.

Com o esforço das autoridades e das entidades de mercado, diversas medidas foram tomadas no sentido de permitir a retenção de uma parcela crescente da poupança do Brasil nos instrumentos locais. Finalmente, com o fortalecimento do real, as altas taxas de juros e a performance das ações, o cenário se inverteu: praticamente o mundo todo fazia fila para investir aqui.

A possibilidade de investir fora se reabriu em 2007, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concedeu autorização aos fundos interessados em aplicar no exterior. Mais recentemente, a legislação dos fundos de pensão também abriu espaço para que uma parte pequena de suas reservas pudesse ser alocada em outros países. Por alguns anos, a natural hesitação ante a novidade manteve essa opção um pouco de lado. No entanto, o tema vem ganhando apelo, com a dificuldade de obter retorno acima da inflação. Para atender a essa demanda,
alguns gestores já oferecem fundos que permitem ao investidor beneficiar-se desse novo universo.

Por onde começar? Uma boa reflexão revelará que as ações oferecem o campo mais promissor. Mesmo com as recentes quedas, o juro brasileiro ainda é alto, assim como a inflação. É mais correto, portanto, buscar alternativas com potencial de ganho de dois dígitos (10% ou mais), para compensar o risco. De preferência, em estratégias específicas que funcionam de maneira independente do nosso mercado ou em economias não muito ligadas à do Brasil. Ações de empresas globais ou de alguns países emergentes encaixam-se nesse perfil. Relativamente à taxa de câmbio, a tendência recente de valorização global do dólar tem impacto positivo, pois aumenta a atratividade dos investimentos internacionais.

Antes de tomar a decisão, é importante que o investidor converse com o seu consultor ou gerente de conta. Caso o perfil dele seja compatível com o tipo de investimento, vale aproveitar os ganhos recentes de sua carteira, oriundos dos fundos de renda fixa, dos fundos multimercados ou de ações, e buscar uma alocação no exterior. Não faltam alternativas para aplicar num portfólio composto de ativos espalhados em diversos países. Bons exemplos são as ações de tecnologia e commodities de economias asiáticas emergentes.