Fome de resultados – BRASIL FOODS | 3º LUGAR VM superior a R$ 15 bilhões

Após fusão com a Perdigão, BRF está pronta para perseguir uma receita de R$ 50 bilhões até 2015

Relações com Investidores/Temas/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2012 / 1 de outubro de 2012
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A fusão da Sadia com a Perdigão, anunciada em julho de 2009 e aprovada dois anos depois pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), continua influenciando os negócios da Brasil Foods (BRF). Desde o anúncio da fusão, a liquidez diária das ações aumentou 207%, passando para US$ 76,2 milhões diários. “A decisão do Cade respaldou o aumento da liquidez e o desempenho das ações e tranquilizou os investidores, especialmente os estrangeiros, que não entendiam por que o órgão antitruste precisava de tanto tempo para aprovar a operação”, afirma Leopoldo Saboya, vice-presidente de finanças e relações com investidores da BRF. O fim da incerteza e os ganhos de sinergia — de R$ 700 milhões este ano — trouxeram recompensas. A Brasil Foods abocanha, em 2012, a medalha de bronze no Prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas, na categoria de empresas com valor de mercado superior a R$ 15 bilhões.

Segundo Saboya, os ganhos de sinergia após a fusão têm sido gerados conforme a expectativa. “Em 2013, eles vão atingir R$ 1 bilhão”, prevê o executivo. Ele ressalta que 200 projetos foram mapeados e estão sendo desenvolvidos para que se consiga obter a maior economia de custos e despesas. A decisão do Cade, no entanto, também trouxe desafios. O órgão exigiu a suspensão da marca Perdigão em algumas linhas de produtos e obrigou a BRF a se desfazer de outras 12 marcas consideradas secundárias, bem como de algumas unidades produtivas e centros de distribuição. E tudo isso está ocorrendo em um ambiente, especialmente o externo, mais delicado e desafiador, marcado pela retração de demanda e pela alta dos preços das matérias-primas, como grãos.

Esses fatores impactaram os resultados. Entre abril e junho de 2012, o lucro líquido da BRF caiu 99% em comparação com o mesmo período do ano passado e chegou a R$ 6 milhões. O Ebitda, por sua vez, atingiu R$ 565,1 milhões, 28,1% inferior ao segundo trimestre de 2011. Diante desse quadro, no primeiro semestre, os papéis da BRF caíram 3,1%. No período avaliado pelo prêmio, a variação do retorno total da ação, incluindo dividendos, menos o custo do capital do acionista (TSR-ke), foi negativa em 3,4% (mas ainda melhor que a mediana da categoria, negativa em 5,77%). No item valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês), a empresa registrou um aumento de 1,48%.

De olho no crescimento de longo prazo, a BRF já tem definidos os objetivos e as metas a serem atingidos até 2015. Até o fim desse período, pretende ser reconhecida como uma companhia de classe mundial, se tornar uma das maiores do setor no mundo e ser admirada por suas marcas, inovação e resultados. Para isso, almeja dobrar o faturamento em relação a 2010, o que significa alcançar receitas em torno de R$ 50 bilhões. Isso deve ser feito combinando crescimento orgânico e aquisições, especialmente no mercado externo. O plano ainda contempla a criação de valor em diversas categorias, além do desenvolvimento de novos produtos. “Somente no primeiro semestre de 2012, lançamos 168”, ressalta Saboya.

No exterior, um dos focos continua sendo o Oriente Médio. “Atualmente, 35,2% das nossas exportações são direcionadas para a região, onde atuamos com a empresa Al Wafi, responsável pela distribuição na Arábia Saudita, que representa aproximadamente 45% das vendas desse mercado e em torno de 20% das receitas do Oriente Médio”, conta o vice-presidente. Para fortalecer a presença na região, a BRF está construindo uma nova fábrica perto de Abu Dhabi, com início das operações previstas para o ano que vem.

Política de gestão de riscos da BRF contabiliza até mesmo o impacto das mudanças climáticas

O mercado do extremo oriente também atrai a companhia. “Hoje, a participação ainda não é relevante. Mas com o estabelecimento da joint venture com a Rising Star, em fevereiro deste ano, esperamos expandir nossa presença no mercado da China Continental e em Hong Kong”, destaca Saboya.

Em governança, a empresa obteve nota 6,1. Um dos destaques é a sua política de gestão de riscos, que contabiliza até mesmo o impacto das mudanças climáticas sobre os negócios. A maior ocorrência de eventos, como falta ou excesso de chuva e temperaturas anormais, interfere na oferta de grãos e nas condições das pastagens para a alimentação de aves, suínos e bovinos. O risco de alterações climáticas impulsiona a decisão estratégica de diversificar as áreas de produção agrícola e fabril, com a instalação de novas unidades nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste e a internacionalização das operações, como a construção da unidade no Oriente Médio.

Listada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) desde o ano da criação do indicador em 2005, a BRF tem como uma de suas prioridades mitigar o impacto da emissão de gases de efeito estufa. Uma das iniciativas nesse sentido é o sistema de suinocultura sustentável. Reformulado no ano passado e, por enquanto, implantado em 22% da cadeia, ele apoia os produtores a construírem biodigestores e sistemas de queima dos gases gerados a partir do tratamento dos dejetos dos animais. O programa de suinocultura sustentável da BRF foi o primeiro do setor de alimentos no mundo a obter registro na Organização das Nações Unidas (ONU), adotando a metodologia Programme of Activities (PoA) para a comercialização de créditos de carbono.




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